Partilhou casa com Zaidu no Mirandela e quer seguir exemplo: "Foi muito rápido"

Zé Ricardo com a camisola do Feirense

 foto Ivo Pereira/Global Imagens

Zé Ricardo, de saída do Feirense, fez sete anos de formação no Rayo Vallecano, onde se cruzou com Pedro Porro. Nesse período, foi chamado aos sub-17 do Brasil e esteve perto de assinar pelos ingleses do Swansea.

Filho de pais brasileiros, Zé Ricardo mudou-se cedo para Espanha, onde aos oito anos começou a jogar futebol no Rayo Vallecano, clube em que fez toda a formação antes de viajar para Portugal. "O meu pai tentou primeiro ir para os Estados Unidos, mas não conseguiu, e depois foi para Madrid, onde arranjou trabalho. Para não ficar na rua, comecei a jogar futebol, ainda estive um ano no Leganés e depois fiquei até aos 18 no Rayo", contou, revelando que chegou a partilhar o balneário com o sportinguista Pedro Porro e a enfrentar alguns craques como Brahim Díaz (AC Milan) e Dani Ceballos (Real Madrid).

Nessa fase da carreira, também chegou a ser chamado para a seleção sub-17 do Brasil e esteve perto de rumar aos ingleses do Swansea, mas desentendimentos de última hora impediram o negócio. Na temporada 2017/18, o lateral-esquerdo foi descoberto pelo Aves, quando os avenses ainda estavam na Liga Bwin, mas nunca chegou a jogar na I Liga, que é o seu sonho. "Fiz lá a pré-época, mas tive um problema com os direitos de formação e fiquei até janeiro sem poder jogar, pois não podia ser inscrito. Na segunda metade da época, fui emprestado ao Mirandela e na seguinte fiz uma grande temporada lá. Joguei contra o Feirense na Taça de Portugal e o interesse começou aí. No verão, concretizámos o contrato", explicou o jogador de 23 anos, que passou três temporadas "fantásticas" em Santa Maria da Feira, "sempre perto da subida", mas, em fim de contrato, já avisou que não quer renovar. "Houve negociações durante a época, o Feirense está a reduzir o orçamento e tenho as minhas ambições, que é subir para a I Liga e continuar a crescer. Neste momento, o mercado está muito parado, tenho abordagens de I e II Ligas, mas ainda não decidi. A ideia é ficar em Portugal", sublinhou, olhando para o trajeto do amigo Zaidu, com quem partilhou casa no Mirandela.

"Acreditámos sempre que podemos chegar a esses patamares, mas o processo do Zaidu foi muito rápido. Já se notava que tinha grandes capacidades para chegar a um clube de topo em Portugal. Tem uma força de vontade muito grande e dou-lhe os parabéns por tudo o que já se passou na vida dele. É muito forte fisicamente e é, a par do Rafa, o mais rápido da I Liga", vincou, acrescentando que, na altura, o internacional nigeriano jogava a central (3x4x3) e era ele quem fechava a lateral-esquerda. Para terminar, Zé Ricardo revelou que tem dois ídolos: Roberto Carlos e Marcelo. "O primeiro é potência pura, fazia o corredor inteiro e não se cansava, o Marcelo é mais pela classe", explicou.