"A saída do Covilhã foi muito injusta. Quem diz isso são os resultados"

"A saída do Covilhã foi muito injusta. Quem diz isso são os resultados"
Redação

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O treinador Wender não se conforma com o despedimento do Covilhã e, dois meses depois, lembra que a equipa não está numa situação melhor

A passagem de Wender pelo Covilhã durou três meses, nos quais obteve cinco vitórias, cinco empates e três derrotas. Diz ter saído por um impulso do presidente.

O que aconteceu para ter saído do Covilhã na oitava jornada do campeonato e após o afastamento da Taça de Portugal?
-Foi o fim de um processo e de um período muito curto de trabalho. São decisões que algumas pessoas tomam... Tendo em conta o trabalho realizado e a qualidade de treino que se refletia no jogo, considero que foi uma saída muito injusta. Quem diz isso são os próprios resultados. Não foi fácil pegar numa equipa que tinha obtido a permanência no campeonato anterior apenas nas últimas jornadas. Ficaram poucos jogadores da época passada, essencialmente os da linha defensiva e os mais experientes, e, dentro de um orçamento curto, tentámos contratar jogadores que fossem mais-valias e que quisessem evoluir, como foi o caso de alguns brasileiros. Somando tudo isto, considero que a minha saída do Covilhã foi precoce.

Quando saiu a equipa estava em 12.º lugar e agora está em 15.º...
-O mais importante nem era a posição na tabela, mas sim o facto de o Covilhã estar a quatro pontos do quarto classificado. Estávamos em 12º, mas empatados com duas ou três equipas com dez pontos, e havia ainda quatro ou cinco equipas com 11 pontos. Seis jornadas depois da nossa saída, a equipa estava a 15 pontos do terceiro lugar. No início da época houve muita ambição, embora suportada pelo nosso trabalho diário, no qual era determinante passar aos jogadores uma ideia de jogo ofensivo, com um futebol atrativo e de domínio sobre o adversário. Mesmo com a questão do orçamento baixo, era possível ter uma equipa com essas ideias de jogo. Fizemos isso em muitos jogos, os jogadores abraçaram essa ideia e jogámos para a frente, sem pensar no empate ou à espera de uma bola parada.

Acha que a sua saída foi um impulso do presidente?
-Sim, foi. Pensou que podia dar um "upgrade" à equipa, já que estava muito próximo dos lugares de subida. O presidente pensou que com outro treinador e outro tipo de decisões podia chegar mais rápido a esse nível que pretendia. Mas ele não levou em conta o que foi feito, nem o nosso trabalho diário. A nossa forma de treinar refletia-se no jogo e, apesar de em alguns momentos a equipa não ter ganho, a verdade é que esteve por cima de adversários com orçamentos três e quatro vezes maiores, casos do Nacional, Penafiel, Benfica B, FC Porto B...

Considera que Portugal há demasiados despedimentos de treinadores?
-Sim, há. Há que ter um grande critério na hora de se escolher o treinador, mas também tem de haver um critério na avaliação do trabalho, isto é, saber por que é que as coisas acontecem. Os números provam que o nosso trabalho estava a ser feito, com um plantel mais curto e um orçamento limitado. O orçamento do Covilhã é um dos três mais baixos, isto se não for mesmo o mais baixo da prova.