"Quando aparecia na zona da verdade, eles tinham medo. Já não saíam da baliza..."

"Quando aparecia na zona da verdade, eles tinham medo. Já não saíam da baliza..."
Redação com Lusa

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Tito fez-se melhor marcador do Vitória com rapidez e "leitura de jogo"... e com a alcunha de "chapeleiro"

O antigo avançado Tito marcou 82 golos pelo Vitória de Guimarães na I Liga portuguesa de futebol e atribui esse recorde, construído entre as épocas 1971/72 e 1977/78, à rapidez e à "boa leitura de jogo" que apresentava.

Natural de Lisboa, o ex-futebolista iniciou a carreira no Atlético, na época 1963/64, com 18 anos, e representou o União de Tomar entre 1969 e 1971, antes de rumar a norte para jogar no emblema da cidade onde atingiu o topo da carreira e se radicou.

"O Vitória era uma família. Eu era rápido, tinha boa leitura de jogo e aparecia sempre no sítio certo. Por isso é que marcava muitos golos", recordou à agência Lusa, a propósito do rendimento que apresentou pelo clube minhoto, que comemora o 100.º aniversário na quinta-feira.

Criado no bairro lisboeta do Casal Ventoso, onde começou a jogar à bola, Tito "não gostava de estudar" e ficou-se pela "quarta classe" (quarto ano de escolaridade), tendo trabalhado numa fábrica de vidro e numa loja de pronto-a-vestir antes de rumar ao Atlético, em que jogou com Matateu, glória do Belenenses, José Henrique, guarda-redes que se notabilizou no Benfica, e Marinho, antigo avançado do Sporting e seu cunhado.

Extremo direito de raiz, Tito já jogava no eixo do ataque quando rumou a Guimarães, tendo-se distinguido pela facilidade com que marcava aos guarda-redes adversários de "chapéu", atributo que lhe valeu uma alcunha.

"Tinha a alcunha de chapeleiro. Quando aparecia na zona da verdade, eles tinham medo. Já não saíam da baliza. Quando saíam da baliza, dava-lhes o chapéu", lembra.

Ainda assim, os tentos que melhor recorda são os dois primeiros ao serviço do Vitória, no seu primeiro jogo no Estádio Municipal de Guimarães, que ditaram o triunfo por 2-0 sobre um Barreirense com Manuel Bento, que seria futuro guarda-redes do Benfica e da seleção portuguesa.

"No primeiro, isolei-me pelo lado direito e fiz o golo. Só encostei [a bola]. No segundo, o Manuel Pinto [defesa do Vitória] queria marcar o livre. Eu disse-lhe: "vou marcar o livre e meter a bola no canto dele. Vais ver que ele vai para detrás da barreira e vou fazer o golo". Marquei o segundo golo assim", descreve.

Na primeira época em Guimarães, o avançado contribuiu para a sexta posição do Vitória com 15 golos, registo que viria a superar nas temporadas 1975/76, com 16 golos noutro sexto lugar, e 1974/75, com 17 num quinto lugar, a melhor classificação que alcançou no Minho.

No campeonato em que mais golos apontou pelos vimaranenses, Tito foi apenas o segundo melhor marcador de uma equipa que apresentou o melhor ataque do campeonato, com 64 golos, superando o campeão Benfica e o vice-campeão FC Porto, ambos com 62.

Numa temporada com "muitos jogos marcantes", entre os quais o triunfo sobre o Sporting, em Alvalade, por 3-2, o primeiro, com 18 golos, foi o brasileiro Jeremias, o "melhor" dianteiro com quem Tito diz ter jogado.

"Quando a bola lhe batia no peito, parecia que tinha cola. O Jeremias, tecnicamente, era um jogador fabuloso", diz, sobre um avançado que rumou ao Espanhol no final dessa época, antes de regressar a Portugal em 1978, para jogar no Vitória minhoto e, depois, no Vitória de Setúbal.

Radicado em Guimarães, cidade onde se sentiu sempre "acarinhado" e conheceu a mulher com quem viria a casar, em 1977, Tito enalteceu ainda o ambiente vivido nos plantéis vimaranenses da década de 70, assumindo encontrar-se regularmente com ex-colegas como o antigo internacional português Osvaldinho, Bernardino Pedroto ou Rodrigues.