"O Tiquinho Soares disse-me para não hesitar, iria para o melhor clube de Portugal"

"O Tiquinho Soares disse-me para não hesitar, iria para o melhor clube de Portugal"

ENTREVISTA I >> A etiqueta de reforço sonante é um pormenor à parte para Tiago Silva na luta por um lugar ao sol no Vitória de Guimarães. Dizendo-se encantado com o novo clube, o médio português estreou-se a marcar em Arouca, soma uma assistência e não quer ficar por aí.

O técnico Nuno Manta Santos, com quem trabalhou no Feirense, acha que já conquistou o seu espaço no Vitória. Tem a mesma convicção?

-As coisas têm saído mais ou menos bem. Sei que ainda não estou no meu melhor, mas tenho contado com a confiança do treinador e dos meus colegas. Posso dar muito mais à equipa.

É uma responsabilidade pesada ter conquistado o lugar de André Almeida, um jogador que tem sido chamado aos sub-21 de Portugal e que chegou a estar no radar do FC Porto?

-Neste clube é difícil ganhar o lugar a quem quer que seja. O André um excelente jogador e profissional, tem uma margem de progressão enorme, mas acho que não ganhei o lugar dele. Estou simplesmente a disputar um lugar com o André Almeida, André André, Janvier, Tomás Händel e Alfa Semedo. Não posso achar que já ganhei um lugar, isso nunca vai acontecer.

Quando foi oficializado, disse ter escolhido o Vitória pela grandeza do clube. Havia outro em Portugal interessado em contratá-lo?

-Fui abordado por vários clubes portugueses e o Vitória foi sempre a primeira opção.

Chegou a conversar sobre essa mudança com Cafú, um adepto assumido do Vitória e ex-atleta do clube, de quem chegou a ser companheiro nos juniores do Benfica?

-Por acaso não falei com o Cafú. Falei com o Tiquinho [Soares], outro acérrimo adepto do Vitória. Disse-me para não hesitar, porque iria para o melhor clube de Portugal, para aquele que tem os melhores adeptos. A verdade é que por essa altura já não estava a hesitar, foi mais um "boost". Nunca senti em nenhum outro clube o que sinto aqui, nem na Grécia, porque não tive a oportunidade de sentir o calor dos adeptos por causa da pandemia. Os adeptos em Guimarães só são do Vitória, é isso que torna este clube tão especial.

Estreou-se a marcar pelo Vitória em Arouca. Será o primeiro de vários golos?

-Se Deus quiser, será. O futebol praticado pela equipa propicia golos: chego mais vezes à área contrária e usufruo de várias oportunidades.

Fazer golos chegou a ser, porém, um problema para a equipa...

-Basicamente faltava eficácia. Criávamos várias oportunidades e, no entanto, a bola não entrava. E até treinamos muito a finalização. Somos muitos exigentes, mas se calhar faltou alguma concentração.

O regresso dos adeptos aos estádios também começou a jogar a favor do Vitória?

-Foi notório isso no jogo do Belenenses, em nossa casa: com menos dois jogadores, os adeptos não pararam de puxar pela equipa. Quando as coisas não saem bem, é ótimo sentir aquele ânimo que vem das bancadas. Faziam muita falta, é uma pressão positiva.

Apesar das boas épocas no Feirense e Notthingham Forest, o Tiago Silva não é um jogador muito conhecido em Portugal. Está a trabalhar para deixar a sua marca já nesta época?

-Antes de tudo, quero ver o Vitória nos lugares cimeiros. Se conseguirmos isso, com boas exibições, acredito que as pessoas vão começar a reconhecer o meu valor. Tenho é de trabalhar para jogar com regularidade.