"O Bamba pode chegar muito longe e seria uma boa opção para o Valência"

"O Bamba pode chegar muito longe e seria uma boa opção para o Valência"

André Almeida, jogador do Valência, ex-V. Guimarães, em entrevista a O JOGO.

Numa entrevista exclusiva a O JOGO, André Almeida considera que o Vitória de Guimarães está no bom caminho, não poupa nos elogios à pérola que brilha cada vez mais na defesa e admite regressar um dia ao clube do coração. O internacional português do Valência garante ainda que Moreno Teixeira é o treinador certo para conduzir uma equipa recheada de jovens, apoiados por alguns jogadores experientes.

Passaram cerca de quatro meses desde que assinou pelo Valência. As saudades já batem forte?

-Claro que sim. Saí de uma casa onde fui feliz durante 17 anos, é sempre difícil. Estava, porém, numa fase da minha vida em que precisava de sair da minha zona de conforto. Apareceu o Valência e estou muito contente.

Tem matado algumas saudades indo a Guimarães para assistir a jogos do Vitória. O que lhe parece a equipa agora que já não o tem a si e a Borevkovic, Mumin, Rochinha, Edwards, Estupiñán, entre outras figuras?

-Assisti por exemplo ao último jogo deles com o Marítimo, para o campeonato. Foi muito bom. Estive com eles no balneário antes do jogo e foi muito bom reencontrá-los. Conversámos muito. E depois vi aquele golaço de longe do Tiago Silva. Ele chuta muito bem... Este ano a maior força do Vitória é o coletivo: tem um grupo muito unido. Quando há muitos miúdos, a ambição é sempre elevada. Assim as coisas tornam-se sempre mais fáceis.

Vê o Vitória com capacidade para agarrar pelo menos o quinto lugar no campeonato?

-Claro que sim. O Vitória luta sempre pelas competições europeias. A união do grupo é muito grande e esse é um valor muito importante no futebol. Sei que vão dar tudo em todos os jogos. Vejo-os com capacidade para lutar sempre pela vitória, seja contra quem for.

O recuo de Ibrahima Bamba para uma defesa a três foi uma boa medida para compensar a sua saída?

-Acho que essa mudança não teve relação com a minha saída. O Moreno é que terá entendido que isso seria bom para a equipa. Apostou numa defesa a três e, de facto, tem dado bons resultados. Curiosamente, nas últimas partidas até já jogaram em 4x3x3. Quanto ao Bamba, já trabalhava connosco desde há um ano e tem muita qualidade e potencial. Se mantiver o nível, pode chegar muito longe. Tem a vantagem de poder bem tanto a central como a médio defensivo.

Vários clubes estrangeiros estão interessados nele. O Valência já lhe pediu algum parecer?

-O Valência não precisa de falar com jogadores sobre contratações. O Bamba seria uma boa opção, porque tem muita qualidade e ainda é muito jovem.

André André e Tiago Silva são agora as principais referências do meio-campo?

-É um meio-campo muito experiente e com muita qualidade. O Tiago Silva jogou em campeonatos muito competitivos, enquanto o André já foi campeão nacional pelo FC Porto e internacional português. Era uma referência para mim quando ainda jogava na equipa B. Esta época, o Vitória tem um meio-campo bastante equilibrado, com experiência, qualidade e juventude. É a mistura perfeita. Um elo perfeito. Ainda há como opções o Dani Silva e o Janvier, que têm muita qualidade, e o Tomás Händel, que teve a o azar de se lesionar com gravidade, mas tenho a certeza de que vai dar muito ao Vitória.

O novo Vitória tem vários jogadores vindos da formação ou das equipas secundárias do clube. É uma aposta de risco?

-De modo algum. O clube tem é de transmitir confiança a esses jovens para que eles possam demonstrar todo o seu potencial. São sempre jogadores de muita qualidade. Nem todos conseguem chegar à equipa A, mas há sempre dois ou três por fornada com qualidade. O Vitória sempre trabalhou muito bem na formação.

Moreno Teixeira é o homem certo para comandar uma equipa tão jovem?

-É o projeto perfeito para o Vitória. O Moreno está em linha com o projeto do Vitória, isso é o mais importante. Quando há sintonia entre direção, equipa técnica e jogadores, tudo pode correr bem. É uma pessoa que conhece bem o clube, as exigências do clube e os resultados têm demonstrado que se tratou de uma aposta certa. Ele passou pela formação e, por isso, compreende perfeitamente o nervosismo e a ansiedade dos mais novos. Sabe transmitir as mensagens que eles precisam ouvir. Para um treinador ter sucesso, isso é muito importante.

A recente eliminação da Taça da Liga foi consequência de alguma inexperiência?

-Eu vi os dois jogos e acho que não podemos desvalorizar as equipas da II Liga. São sempre muito competitivas, os seus jogadores têm a ambição de chegar ao primeiro escalão e por isso dão a vida nos jogos. O Vitória também deu tudo nesses dois jogos, mas teve azar contra o B SAD. Merecia ter vencido e teve oportunidades para suficientes. Agora têm de se focar no campeonato, que é a competição mais importante, e ainda há a Taça de Portugal. A Taça da Liga foi uma oportunidade para outros miúdos aparecerem, porque havia muitos jogadores lesionados e outros estavam na seleção Sub-21. A minha estreia na equipa principal aconteceu precisamente num jogo da Taça da Liga.

Conta voltar a representar o Vitória ou esse já um capítulo encerrado na sua carreira?

-Está no coração, é o meu clube de sempre. É de família. Toda a minha família é vitoriana. Se voltarei ou não, só o futuro o dirá, mas obviamente que gostaria de voltar a representar o Vitória. Seria sempre um gosto, um prazer indescritível.

Como quem se atualiza sobre o Vitória?

-Mantenho o contacto com alguns dos amigos que deixei na equipa. Converso muito com o Händel e o Jorge Fernandes. Depois na seleção Sub-21 falo sempre com o Amaro, o Zé Carlos e o Celton Biai. É através deles que vou sabendo das coisas.

A melhor recordação do Vitória?

-Foi o jogo com o Arsenal no Emirates Stadium. Ficou marcado pela minha estreia a titular na Europa, foi um jogo inesquecível. Um ano antes ainda jogava pela equipa B e, de repente, estava a defrontar aqueles craques todos naquele estádio num jogo emocionante. Jogámos todos muito bem, só foi pena a derrota. Como adepto, jamais esquecerei a conquista da Taça de Portugal. De três finais, só fui ver duas... e o clube venceu aquela em que eu não assisti ao vivo. Ou seja, não posso assistir a finais do Vitória.