Miguel Pinto Lisboa: "Vamos aproveitar esta dor para fazer do Vitória mais forte"

Miguel Pinto Lisboa: "Vamos aproveitar esta dor para fazer do Vitória mais forte"

Líder do V. Guimarães apelou, face ao falecimento de Neno, ao reforço da ligação entre o clube e a cidade e vincou que os tributos a "uma figura ímpar" vão prolongar-se "ao longo do ano"

Em dia de centenas de homenagens a Neno, por ocasião das cerimónias fúnebres do malogrado ex-dirigente do V. Guimarães, o presidente do clube, visivelmente comovido pelo momento e afluência vislumbrada, afirmou que deseja catapultar, em simbiose com a cidade, a dor sentida em força e superação internas.

"A dimensão desta homenagem demonstra a força do Neno, do Vitoria e da cidade. Queremos que essa força saia ainda mais reforçada e queremos seguir o legado do Neno, de força, união, genuinidade e de alegria. Queremos fazer o Vitória e a cidade maiores. Essa era a vontade do Neno. Era um vimaranense e um vitoriano de coração. Vamos aproveitar este momento de dor para nos unirmos e para fazer do Vitória mais forte e da cidade mais pujante", afirmou Miguel Pinto Lisboa, este domingo.

O líder do emblema da cidade-berço do país vincou que Neno, falecido na passada quinta-feira, aos 59 anos, de forma súbita, "vai estar eternizado no clube" vitoriano e, de forma bem simbólica, que o ex-guarda-redes "não morreu, vive nos nossos corações".

Miguel Pinto Lisboa assumiu que as homenagens ao ex-dirigente do V. Guimarães, visto como "uma figura ímpar" e um "um homem intrinsecamente bom", cujos valores têm a promessa de serem praticados, vão prolongar-se "ao longo do ano", ressalvando que "não será feito porque faleceu".

"Ele merece. Era intrinsecamente um homem bom e que deu tudo ao Vitória e a esta cidade. Ele estava de bem com todos, traçava pontes, era humanamente assim. É por isso que assistimos a esta unanimidade", explicou o presidente vimaranense, referindo-se à imensa manifestação de compaixão.

As cerimónias fúnebres de Neno iniciaram-se este domingo, pelas 9 horas, no Estádio D. Afonso Henriques, onde o corpo estava em câmara ardente, e foram presenciadas por várias centenas de pessoas, mediante o cumprimento de regras de controlo da pandemia.

Milhares fizeram questão de prestar uma homenagem, desde bem cedo, ao deixar num memorial junto à estátua do Rei objetos como cachecóis, tarjas, fotografias, camisolas e até mensagens escritas. O cenário foi "invulgar, porque Neno era invulgar", destacou Miguel Pinto Lisboa.

Às 16h45, houve uma marcha fúnebre desde o recinto até à Igreja de São Francisco, acompanhada por um mar de gente, que passou pela Avenida de Londres, Avenida Conde Margaride, Rua Paio Galvão, Toural, Rua Santo António, Avenida General Humberto Delgado, Rua Agostinho Barbosa, Praça da Mumadona, Avenida Alberto Sampaio, Largo República do Brasil e Igreja de S. Francisco.

Cumprida, depois, a missa de despedida de Neno, que teve limites de ocupação no interior da igreja, o corpo do antigo guarda-redes internacional português, nascido em Cabo Verde, seguiu para o cemitério de Monchique, onde ficará sepultado, sendo muito aplaudido à partida.

Ademais, a autarquia de Guimarães decretou, entretanto, dois dias de luto municipal pelo falecimento de Neno e planeia, também ela, realizar uma homenagem póstuma a um símbolo do clube de Guimarães.