Josué em exclusivo: "A onda do Vitória vai voltar"

Josué em exclusivo: "A onda do Vitória vai voltar"

Josué chegou ao Anderlecht com o campeonato em andamento e precisou de três semanas para entrar no onze. Tem dois jogos (180"), ambos ganhos pelo campeão belga

Aos 25 anos, e depois de ter estado várias vezes na porta de saída, Josué deixou o Vitória para abraçar uma experiência no campeão belga com o objetivo de dar um passo em frente na carreira.

Custou-lhe sair depois de sete anos no Vitória e apesar da ambição de melhorar a sua vida?

-Custou muito. Guimarães era a minha casa, estava familiarizado com tudo, o meu dia a dia no clube era quase automático... Mas, paradoxalmente, também foi esse conforto que me fez querer sair. Não ter fome de evoluir é algo perigoso para um jogador.

Já conseguiu desligar-se emocionalmente do Vitória?

-Não, isso não. Vejo os jogos todos, vibro com a equipa, sofro com este ciclo que o Vitória está a atravessar. Tenho sempre tendência para ver o jogo e sentir-me dentro dele, porque conheço o clube tão bem. Oiço os adeptos e penso que aquele jogador está a sentir pressão devido aos assobios ou que outro está a ser aplaudido e está a sentir-se como o menino bonito. É como se ainda lá estivesse.

Quem passa pelo Vitória diz que fica vitoriano. Mas, afinal, o que é isso?

-Quando ouvia companheiros a dizer que iriam ser sempre do Vitória, pensava que o faziam para serem politicamente corretos. Agora que saí, vejo que é um sentimento inexplicável. Em comparação com outros clubes semelhantes, como o Braga, a paixão no Vitória é diferente. A maneira como os jogadores se entregam, mas também como se vibra com os triunfos e as derrotas. É impossível ficar indiferente. Foi uma história bonita da minha vida e vou sentir-me sempre ligado ao clube.

Ao fim de dois meses, o Vitória ainda não se afirmou. A saída de quatro titulares serve de explicação?

-As equipas estão em constante remodelação e o ADN está sempre lá. Os jogadores já tinham comentado que este ano seria muito difícil. Primeiro, por causa das competições europeias, porque os jogadores não têm muita experiência a esse nível. Com jogos de três em três dias é normal um jogador não estar a cem por cento em termos físicos. E a este nível paga-se a fatura. Quanto às saídas, o Vitória tem sempre lidado com essa situação ano após ano.

O Vitória assumiu a luta pelo quarto lugar. Isso pode estar a pesar nos jogadores?

-Não creio. Mas sei que a fasquia ficou alta e os adeptos deixaram de admitir certos resultados, como empatar com o Paços de Ferreira, por exemplo. As equipas nem sempre estão bem, veja-se o caso do Benfica. Com dois ou três triunfos seguidos, o Vitória ficará de novo no topo. O Pedro Martins é bom a inverter ciclos, ou seja, a motivar a equipa nas fases teoricamente mais complicadas. E quando o Vitória inverter o ciclo não vai ser fácil travá-lo; a onda da época passada vai voltar a sentir-se.

Este plantel é tão equilibrado como o anterior?

-É difícil avaliar por esse prisma. Quando se diz que o plantel da época passada era melhor esquece-se, por exemplo, que o Marega não era visto da mesma forma como está a ser olhado este ano. O plantel é equilibrado e bom. Esta nuvem vai passar e o objetivo do quarto lugar, ou o da Liga Europa, irá ser conseguido.

Quais os jogadores que estão a sobressair?

-Além do Pedro Henrique, tenho gostado do Heldon e do Raphinha, que, nesta altura, é um dos extremos mais talentosos em Portugal.