"Destruía a mesa com murros sempre que nós fazíamos golos e a fruta ia pelos ares"

"Destruía a mesa com murros sempre que nós fazíamos golos e a fruta ia pelos ares"

Pode não se conhecer nenhum dos futebolistas, mas se falarmos de Gigi Becali todos sabem que estamos a falar do presidente do Steaua de Bucareste, ou do controverso presidente

Recheado de jogadores internacionais e com remunerações bem acima da média, o Steaua tem como principal figura George Becali, mais conhecido como Gigi. É o dono do clube mais vencedor da Roménia (59 títulos nacionais, uma Taça dos Campeões Europeus e uma Supertaça Europeia) e não tem rivais à altura no que toca a declarações explosivas, controvérsias e até negócios escuros (já cumpriu três anos de prisão), tanto como dirigente como na qualidade de político. Por aí, o rendimento é sempre elevado, sendo poucos os que escaparam ao temperamento irascível do dirigente. Contratado para esta época e ainda por estrear por se encontrar lesionado, o português Diogo Salomão nem precisou de esperar muito para ser visado, pela primeira vez, pelo acionista maioritário do histórico clube de Bucareste, adversário do V. Guimarães no play-off da Liga Europa. "Não sei quando veremos Salomão jogar. Contratámo-lo, mas agora que outros jogadores voltaram de lesão que vá com Deus", atirou Gigi.

Foi, aliás, à custa de outro português que se tornou numa celebridade de dimensão internacional em tiradas polémicas. Em 2006, após uma derrota pesada do Steaua por 4-1 frente ao Real Madrid, no Santiago Bernabéu, o presidente do Steaua foi confrontado pela Imprensa espanhola sobre o interesse do Bétis e do Sevilha no guarda-redes Carlos Fernandes e surpreendeu ao anunciar que oferecia 100 mil dólares a quem quisesse levá-lo. "Não percebe nada de futebol e teve aquele desabafo infeliz. O clube tinha de facto propostas do Bétis e do Sevilha, mas não queria deixar-me sair e ele disse aquilo para provocar, sabendo que eu queria sair. Não foi por causa dos golos que sofremos nessa partida, nenhum foi frango. Mal soube dessa declaração na zona mista, disse logo: se confirmar isso pela televisão, amanhã não estou cá. E cumpri. Passei a noite a meter as malas no carro, chamei o reboque e apanhei o primeiro voo para Portugal. Ligavam-me para voltar, mas eu respondi sempre que não fazia sentido voltar. O meu agente Carlos Gonçalves é que depois resolveu a situação com eles com vista à rescisão do contrato. Prescindi de dois anos", contou o antigo jogador do Boavista e Rio Ave.

Duas épocas chegaram e sobraram para Carlos perceber que lidava de perto com um dirigente demasiado problemático e, naturalmente, nunca se arrependeu de ter desertado.

"Ele pensa que manda no mundo. Todos os fins de semana destratava jogadores com bocas. Até o afilhado dele (Mirel Radoi), que era o nosso capitão, foi vítima disso. Chegou a dizer que não o queria ver mais a jogar no Steaua. Só não tinha acontecido uma coisa do género comigo", recordou o guardião, dando conta igualmente de um perigoso destruidor de mobiliário no estádio. "No camarote, havia sempre uma mesa com fruta e ele destruía aquilo com murros sempre que nós fazíamos golos. A fruta ia pelos ares", referiu. Na ânsia de ganhar, Gigi também não olharia a meios durante os anos em que Carlos Fernandes defendeu as redes do gigante romeno. "Costumava ir aos locais de concentração das equipas adversárias. Fazia isso às claras", assegurou o guarda-redes.