"Os jogadores têm de saber que será um erro jogar de forma aberta contra o Benfica"

Vitória recebe o Benfica

 foto Tony Dias/Global Imagens

Depois de apostar num 4x3x3 nas quatro primeiras rondas, Moreno alterou para um 3x4x3 nas três últimas. José Mota dá algumas sugestões para bloquear o líder do campeonato

Moreno Teixeira apostou nas quatro primeiras jornadas num 4x3x3, alterando para um 3x4x3 nas três rondas que antecederam a paragem competitiva. Em Braga, o treinador do Vitória de Guimarães optou por Ibrahima Bamba, médio defensivo, como central do meio, com André Amaro sobre a direita e Jorge Fernandes à esquerda, e Afonso Freitas e Ogawa nas laterais.

Na receção ao Santa Clara, o trio de centrais foi formado por Tounkara, Ibrahima Bamba e André Amaro, com Zé Carlos, médio, e Ogawa nas laterais. Em Arouca, na jornada anterior, fez duas alterações no setor mais recuado, entrando, inicialmente, Mikel Villanueva e Hélder Sá para os lugares de Tounkara e Ogawa. A dúvida agora é saber se Moreno vai manter, sábado, na receção ao Benfica, o 3x4x3 ou se recuperará o 4x3x3.

José Mota, que na época passada jogou frequentemente no Leixões em 3x4x3, com Cris, um médio, "adaptado a central do meio", refere que "as características dos atletas têm preponderância na escolha do modelo de jogo", defendendo que "é fundamental tentar tirar o máximo de rendimento das qualidades de cada atleta para o modelo de jogo escolhido."

O técnico de 58 anos, que tem 703 jogos na carreira, 405 dos quais na I Liga, aponta que "todos os sistemas têm de ser bem trabalhados e aceites pelos próprios atletas e tem de haver entrosamento em qualquer um dos sistemas", adiantando que "o treinador não pode impor o seu sistema de jogo". Independentemente do modelo que o técnico vitoriano eleger para iniciar o jogo com o líder do campeonato, que ainda não sofreu qualquer derrota esta época, José Mota aponta a fórmula para "travar uma equipa que está num momento muito forte e tem jogadores com uma tremenda confiança".

"É sempre difícil anular a forma de jogar do Benfica, porque, embora jogue em 4x2x3x1, tem jogadores com uma dinâmica muito forte, com desequilibradores como Rafa e Neres e com laterais que se integram muito bem em ações ofensivas", acrescentou. "Não se pode fugir da identidade da própria equipa", salientou. "Os jogadores têm de saber que vão jogar com o Benfica e que será um erro jogar de uma forma aberta, sem responsabilidades defensivas". Por outro lado, continuou, "tem de ter atrevimento". "Se não o tiver, as coisas tornar-se-ão muito mais difíceis. Terá de ter olhos postos na baliza do Benfica", aconselhou.

Pela experiência que tem, José Mota diz que o Vitória "terá de jogar curto, sim, mas tirar rapidamente a bola da zona da pressão, porque o Benfica é muito forte na recuperação da bola e na reação à perda de bola". Assim, resumiu, a estratégia passa também "por saber sair a jogar e alongar um pouco o jogo, ou seja, jogar com homens que na transição possam dar rapidez e profundidade ao jogo, porque se não o fizer terá, com certeza, muitas dificuldades".