Varandas: "O fosso de 40 anos que nos afastou dos rivais ainda não está fechado"

Varandas: "O fosso de 40 anos que nos afastou dos rivais ainda não está fechado"

Presidente do Sporting fez um balanço num artigo de opinião publicado no jornal do clube.

Frederico Varandas aproveitou um espaço de opinião no jornal oficial do clube para fazer um balanço ao trabalho feito na presidência do Sporting, cargo que ocupa desde setembro de 2018. As próximas eleições estão agendadas para o dia 5 de março de 2022.

"Há três anos a situação do Sporting era bem diferente. Não éramos campeões no futebol há muitos anos, demasiados anos. Tínhamos perdido os principais ativos desportivos sem quaisquer contrapartidas financeiras. As probabilidades de sucesso futuro pareciam remotas. A sustentabilidade financeira do clube estava ameaçada. A procura ao empréstimo obrigacionista (para reembolsar aquele com que tínhamos incumprido) ficou abaixo da emissão. Assombrava-nos uma crise de identidade e de valores. Tínhamo-nos afastado do nosso ADN. Entretanto, e para agravar o cenário, o acaso abalou-nos com a maior pandemia e crise do século. Foram tempos difíceis e muitos questionaram-se se o Sporting, que crescemos a acreditar que resistia a tudo, sobreviveria à tormenta que o tinha arrasado", começou por escrever o líder leonino.

"Mas depois de um ano de reconstrução (2019), e de um ano de resiliência (2020), 2021 foi o Ano do Leão. Trouxe-nos a glória que todos os sportinguistas desejavam e mereciam. Foram três anos assentes numa estratégia que nunca se desviou perante o ruído, a ameaça ou por percalços desportivos inevitáveis num projeto em crescimento sustentado pela formação. Nada vem do nada e as vitórias não são fruto do acaso. Foi necessário tempo e estabilidade para planear, trabalhar e conquistar. Foi, também, necessária muita coragem para nunca nos desviarmos do nosso plano, que sempre acreditámos que nos levaria ao sucesso", vincou.

Varandas faz as contas aos títulos para evidenciar o momento de fulgor que se vive em Alvalade. "Hoje o Sporting é campeão de futebol, 19 anos depois. Em três anos celebrámos cinco títulos no futebol, atingimos os 41 títulos europeus, o primeiro título mundial e concluímos em 2021 uma das melhores épocas de sempre dos 115 anos do clube. A confiança no futuro vigora. Conquistámos credibilidade financeira. Emitimos um empréstimo obrigacionista com procura superior à oferta. Reafirmámos a nossa identidade. Reerguemos o clube como não se via há muitas décadas. Fizemos muito mais com muito menos. Partindo de trás, num contexto adverso, com muito menos recursos financeiros que os nossos rivais, terminámos à frente. Isto só foi possível com base no rigor, inteligência e competência que empenhámos e teremos que continuar a utilizar como principais armas", indicou.

O presidente menciona que o Sporting demonstrou "que ter como destino a vitória não implica escolher os caminhos errados", mas avisa que "as bases não estão ainda totalmente solidificadas." "O fosso de 40 anos que nos afastou dos nossos rivais ainda não está completamente fechado. Porém, hoje respiramos esperança. Passeamos a nossa listada verde e branca de consciência tranquila, de cabeça erguida e orgulhosos do trajecto"a de cadastro limpo que percorremos. Aprendamos das lições do passado e consolidemos a cada dia o caminho que estamos a fazer. Com paciência. Saibamos defender o nosso clube perante quem nos quer dividir. O sucesso nunca é permanente e a tarefa de o mantermos mais perto que longe recai sobre cada um de nós. Temos de aprender a viver com estabilidade que nos permita não estar sempre a começar do zero, sempre com bases por construir. A nossa maior vitória é hoje sermos fiéis ao nosso ADN, nas diversas moléculas que o constituem. E é assim que desafio todos os sportinguistas a enfrentarmos a cortina final de 2021, assim como o primeiro dia de 2022, e todos os que se seguem, da mesma maneira: à nossa maneira", rematou.