Frederico Varandas não acredita que "Bruno de Carvalho se demita"

Frederico Varandas não acredita que "Bruno de Carvalho se demita"

O antigo diretor clínicos dos leões quer "ir a jogo" contra o atual presidente do Sporting

Frederico Varandas, o antigo responsável clínico dos leões, reconheceu que votou em Bruno de Carvalho e explicou porquê. "Pelo trabalho que fez no primeiro mandato, hoje voltaria a votar em Bruno de Carvalho. A razão que hoje mais discordo foi o que me fez votar: dar voz aos sócios. Reconheço isso em Bruno de Carvalho, mas ele mudou", confidenciou em entrevista à CMTV.

Bruno de carvalho acusou o clínico de "traição". "Não esperava outra reação dele. Renovou quatro vezes o meu contrato. Nunca recebi um tostão pelo que não trabalhei. Enquanto ele defendeu os interesses do Sporting, sempre fui seu defensor.
Mudou neste segundo mandato. Foi-se afastando nos seus ideais. Sinto-me desiludido com Bruno de Carvalho. Tenho orgulho da herança que deixo, porque fiz parte. A partir do momento em que Bruno de Carvalho vai contra os valores do Sporting, do nosso Sporting, do Sporting de 1906, tenho de me afastar. Fui leal enquanto estive com ele, mas depois tive de pedir a minha demissão", justificou.

Varandas recordou alguns nomes da Comissão de Honra, tais como Sousa Cintra, Daniel Sampaio, José Maria Ricciardi, Jaime Mourão-Ferreira, José de Pina, Manuel Moura do Santos, entre outros, e todos "pedem a demissão de Bruno de Carvalho. Além destes, existem milhares, só que não têm voz."

O candidato a candidato não tem que com a saída de Bruno de Carvalho se dê um regresso ao passado. "Esse era o argumento de Bruno de Carvalho quando se referia a Godinho Lopes. Eu estou a ouvir os argumentos que ouvia Bruno de Carvalho antes criticar. Ele não se demite porquê? Porque sabe que não vai ter 90%, nem 70%, nem 50%, nem 40% numa eleição. Por isso é que não se demite. Ele demitir-se-ia na hora se soubesse que ganhava as eleições. Respeito quem defender Bruno de Carvalho, mas peço eleições."

"Rogério Alves? Tenho um projeto meu"

Frederico Varandas nega ser da fação de Rogério Alves. "Vou-me candidatar com um projeto meu. Volto a dizer que não vale a pena atirar com os fantasmas do passado. Tenho um projeto para unir o Sporting, para curar, tratar, reabilitar e ganhar. Se reconheço o primeiro mandato de Bruno de Carvalho não quero voltar atrás, mas quero um Sporting com ética. Não há Sporting de 2011, há o fundado em 1906. A minha equipa é nova. Mal do Sporting se em 170 mil sócios não houvesse gente nova. A minha equipa, garanto, é nova. Tenho nomes que vão servir o Sporting e não servir-se do Sporting. Tenho pessoas com provas dadas na sociedade civil. Tenho a equipa fechada. Muitos vão abdicar de muita coisa para vir. O meu homem para a área financeira tem uma posição na banca, vem de fora, mas com o intuito de servir. Acredita no nosso projeto. Eu quero ir a jogo com a Bruno de Carvalho. Ele tem de ir a votos para o Sporting ter paz."

"Eu percebo de futebol"

Para o médico, "Bruno de Carvalho tenta espalhar o terror, tipo é isto ou morremos." E garante que vai ter na sua lista gente que perceba de futebol". "Eu percebo. É uma questão importante que é preciso as pessoas entenderem. Adoro futebol. Vejo-o desde pequenino. Sei a equipa da Argentina do México 1986, tirei dois níveis do curso de treinador quando estava no Vitória de Setúbal. Estou sempre atento a treinadores e jogadores. Eu percebo de futebol, mas não venho do mundo do futebol. Gostar é uma coisa, perceber é outra e para isso é preciso ser profissional. Tenho o melhor dos dois mundos. Sou médico, tenho duas empresas, militar, mas especializei-me no futebol e há onze anos que é o meu dia-a-dia. Aprendi com dirigentes, jogadores, com todos."

E recordou que sabe o que é tomar decisões. "Estive sempre perto da decisão. Os treinadores que estiveram comigo, quiseram levar-me para fora. Sempre fui um apoio nas decisões, no planeamento da época, nas decisões... Bruno de Carvalho escolheu três vezes muito bem o treinador, mas nunca ganhámos. O treinador é fundamental, mas é preciso criar uma estrutura para o treinador ser decisivo."

"Jesus? É triste pagar a uma pessoa para se calar"

Frederico Varandas não tem treinador, mas, antes, o perfil. " Tenho um perfil de treinador. Jesus é um excelente treinador, mas tem contrato. Sou amigo de Jardim, é dos poucos amigos mesmo que fiz no futebol. Tem a mesma visão de gestão que eu tenho de futebol. É um perfil que me agrada muito."

E voltou ao futebol profissional, para explicar como se gere uma área humana tão sensível. "A Equipa principal tem 27 jogadores, com staff são 60 pessoas, no total. É preciso disciplina e regras. Existe no Sporting uma estrutura onde o treinador se desgasta com muita coisa. Só se devia preocupar com o treino. Jesus? Precisava de um líder para lhe dizer até onde devia ter ido.- Ele podia ter dado muito mais ao Sporting."

Os empresários também foram um tema debatido. "Divido o mundo entre o bem e o mal. Sou do bem, mas em Portugal acha-se que ser do bem é ser totó. Sou do bem, mas a mim ninguém me espezinha. Temos de viver com empresários. O Sporting trabalha com todos os empresários, desde que salvaguarde os seus interesses, caso contrário não trabalho com quem traz problemas ao Sporting." Lembrando, a propósito, que havia negociações por Rui Patrício. "Não posso falar do que não sei. Falo do que sei. Sei é que o Sporting está a ser prejudicado. Neste momento, é preciso as pessoas terem noção do que se está a passar. O Sporting tem de trabalhar com todos os agentes. Bruno de Carvalho, acredito, defendeu o Sporting, mas não se pode declarar guerra a tudo e todos, como só ele estivesse bem e o mundo estivesse mal. Houve muita guerra ao mesmo tempo, se calhar sem necessidade."

"Tenho sido batizado de croquete"

No decurso da entrevista, Frederico Varandas soube de mais uma rescisão: a de Bas Dost. E reagiu da seguinte maneira. "Que Bruno ganhe coragem de vez e venha a votos". Mas ainda falou da onda de rescisões. "Os jogadores estão em estágio com a Seleção na Rússia. Agora sou só um sócio que luta pelo melhor do Sporting. O meu lado é o do Sporting, para o defender. Já sei que vão dizer que fui um dos instigadores, conheço o estilo. Sei o que vai sair daqui..."

A finalizar, explicou porque se considera diferente dos demais candidatos. "Tenho sido batizado de croquete. Sou um sócio de bancada, de estádio, superior sul, bancada central, sempre paguei a minha 'gamebox', mas sou de classe média. Há onze anos comecei a ganhar 700 euros brutos como médico de juniores do V. Setúbal. Abri depois uma empresa, e depois outra com 30 funcionários. As equipas que liderei seguem pelo exemplo, não pelo medo. Tive este mês duas propostas de trabalho, a ganhar quatro vezes mais do que ganhava, porque acredito no trabalho."