Rúben Ribeiro e o ataque à Academia: "O meu filho foi ameaçado e gozado na escola"

Rúben Ribeiro e o ataque à Academia: "O meu filho foi ameaçado e gozado na escola"

Antigo jogador do Sporting revelou ter achado que ia morrer naquele dia.

Rúben Ribeiro foi ouvido esta sexta-feira por videoconferência desde o tribunal de Matosinhos, no âmbito do julgamento do processo do ataque à Academia do Sporting. O antigo jogador dos leões, agora ao serviço do Gil Vicente, foi interrogado como assistente do processo e não como testemunha, pelo que foi questionado apenas pela presidente do coletivo de juízes, Sílvia Pires.

"Tive perfeita noção que podia ter morrido, foi um momento de terror", começou por dizer.

"Cheguei a casa e tinha a minha mulher e os meus filhos a chorar. Ela estava apavorada, foi com o advogado ao colégio dizer que os meus filhos não tinham condições para continuar ali. O meu filho tinha sido ameaçado e gozado na escola pelo que tinha acontecido", continuou.

"Sinceramente pensei que ia morrer, foi um dia desolador. Estavam constantemente a dizer que nos iam matar, que se não ganhássemos no domingo não sabíamos o que nos ia acontecer", acrescentou.

O médio afirmou inicialmente, quando questionado pela juíza, que alguns elementos do plantel terão dito aos restantes para não falarem com o então presidente Bruno de Carvalho, afirmação que não confirmou quando interrogado pelo advogado Miguel Fonseca, defensor de Bruno de Carvalho. "Depois do ataque, na sala de convívio o 'mister' [Jorge Jesus] ou o Rui Patrício, não me lembro qual, disseram para não falar com o presidente", disse, numa primeira versão, afirmando, mais tarde, que "ninguém disse isso".

Ruben Ribeiro explicou que "as cerca de 30 ou 40 pessoas" que entraram no balneário gritavam e insultavam os jogadores. "Estavam a gritar, a dizer que nos iam matar. Chamavam-nos nomes e diziam: 'vocês não merecem vestir a camisola' e ameaçavam que se não ganhássemos no domingo [final da Taça de Portugal] íamos ver o que nos acontecia".

O futebolista explicou que os invasores "dirigiram-se primeiro ao Acuña, que foi agredido com socos na zona da cabeça".

Ruben Ribeiro, que disse ter "levado um estalo", referiu ter visto os companheiros Misic e William Carvalho serem agredidos, e ainda ferimentos "na cabeça de Bas Dost e no lábio e num dos olhos de Jorge Jesus".

O futebolista, que depois de ter saído do Sporting esteve meses sem clube, referiu que quando iam a sair os agressores disseram: "vamos embora, vamos embora que isto deu para o torto".

O processo, que está a ser julgado no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, à data presidente do clube, Mustafá, líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e Mustafá também por um crime de tráfico de estupefacientes.