Receio após golo de Felipe: "Estamos mortos. Porque é que isto está a acontecer outra vez?"

Receio após golo de Felipe: "Estamos mortos. Porque é que isto está a acontecer outra vez?"

Bruno Fernandes, antigo capitão dos leões, em entrevista à Sporting TV, recordou a conquista da Taça de Portugal, frente ao FC Porto.

Vencer a Taça depois da hecatombe [ataque à Academia e derrota frente ao Aves na final da Taça, em 2018]: "Quem viveu a tristeza do ano anterior, independentemente dos acontecimentos, a tristeza principal era de ter perdido uma Taça. A mensagem que tentámos passar, principalmente quem já tinha lá estado, foi de querermos muito. Tínhamos muitos jovens que nunca tinham lá estado, muitos que chegaram esse ano. Por tudo o que fomos sentindo durante o ano, na conquista da Taça da Liga... Desde o início que a minha intenção era viver de forma diferente o ano anterior. Uma festa diferente, uma alegria diferente, uma disposição diferente para jogar e principalmente uma paixão diferente, porque nossa paixão tinha sido afetada no ano anterior. Tínhamos de viver aquele jogo como se fosse de vida ou morte. Nós merecíamos aquela final. Não que o FC Porto não merecesse, mas nós vivenciámos aquilo que vivenciámos dentro do balneário, do Sporting, do nosso clube. No fim, quem ganha, é sempre merecedor."

Final contra FC Porto foi um jogo de vida ou de morte: "A final da Taça de Portugal foi um jogo de vida ou de morte, como tinham sido todos. Mas aquele ainda mais porque era uma final e as finais ganham-se. Acredito que pelo percurso, vontade, entreajuda e espírito de grupo merecíamos ganhar. O FC Porto também merecia, mas evidenciámos o que se vivia no balneário e no clube. No fim quem ganha é sempre merecedor".

Regresso ao Jamor: "Quando regressei ao Jamor senti algum receieo e medo de voltar a pisar aquele relvado. Não queria vivenciar outro fim de tarde negro. Para fora nunca passei esta mensagem, mas sim a de sermos fortes para ganhar. Mas, olhando para quem já tinha passado por aquilo, senti o receio e desconforto de podermos falhar novamente. Acho que foi essencial passarmos para fora uma mensagem positiva de força e de vontade. Isso ajudou os colegas que não tinham vivido a final com o Aves a ter conforto para se exibirem ao mais alto nível. Com o passar do jogo e do prolongamento as dúvidas foram-se desvanecendo".

Golo de Felipe [no final do prolongamento] e medos vieram todos à cabeça: "Quando sofremos o golo do Felipe pensei: 'estamos mortos'. Foi uma injeção de força para eles e tinham o seu momento de vencer nos penáltis. Pensei: porque é que isto nos está a acontecer outra vez?'. Os temores vieram todos à cabeça. No entanto, o facto de eu e o Bas, que tínhamos regressado ao clube, termos marcado era sinal de que alguma coisa positiva estava para acontecer"

Mensagem aos companheiros antes das grandes penalidades: "Quando juntei os colegas antes dos penáltis esqueci o receio e passei uma mensagem de força e tranquilidade. O mister pediu-me para ser o primeiro, mas o Bas pediu para trocar. Deixei-o ir à frente e falhou. Pensei: 'mas afinal que sinais são estes?'. Eu fui em segundo e já tinha decidido que não ia dar o saltinho antes de bater, para ser diferente. Foi algo que combinei com o míster Nélson, que sabe o que o guarda-redes está a sentir. Não foram só os jogadores que ganharam a Taça, foi o staff todo. Desde as pessoas da cozinha até aos jogadores. Todos foram importantes".

Misto de medo e confiança: "Ainda nos penáltis disse ao grupo que era o nosso momento e que eles estavam com medo. Sabiam que já tinham perdido uma vez nos penáltis e que iam perder outra vez. Senti que o Luiz Phellype não estava confiante e quando perguntei se queria bater ele demorou a responder. Disse ao míster Keizer para o Luiz não ser um dos cinco primeiros. Isto porque auando olhei para o Raphinha senti confiança. Já o Coates tinha algum receio, mas ele chegou-se à frente e assumiu a responsabilidade. O facto do Bas falhar não afetou ninguém. Depois vinha eu, fui para a bola e disse que tinha de marcar. O facto do Pepe ter falhado o seguinte deu uma força extra a todos nós".