Pedro Madeira Rodrigues: "Bruno de Carvalho faz o mesmo que Godinho Lopes"

Pedro Madeira Rodrigues: "Bruno de Carvalho faz o mesmo que Godinho Lopes"
Mário Duarte/Rui Miguel Gomes

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Gestor quer assumir a presidência do Sporting, que diz ter reentrado na espiral despesista, colocando em causa a sua sustentabilidade. Entrevista a O JOGO

Gestor, 45 anos, casado, pai de cinco filhos, com a vida estabilizada, Pedro Madeira Rodrigues desafia Bruno de Carvalho no ato eleitoral do próximo dia 4 de março, sustentando com a acusação de despesismo do líder leonino, que tem feito "um investimento colossal sem resultados".

O que mudou desde 2011, quando integrou a lista de Pedro Baltazar, para assumir agora um projeto próprio?

-Estou mais maduro e houve um conjunto de circunstâncias que acabaram por me conduzir a esta candidatura. Confesso que é algo que nunca esteve nos meus planos. Servir o Sporting, sempre. Mas desde essa primeira candidatura com Pedro Baltazar fui acompanhando mais de perto a vida interna do clube e, no último ano, apercebi-me de uma grande necessidade de haver alternativa a Bruno de Carvalho. Ele perdeu completamente o rumo inicial, que era o correto. Deu-se um resvalar, já sem rumo, sem projeto, sem nada. Comecei a falar com muita gente, a perceber que alternativas havia, até ao dia em que houve aquele clique e percebi que era a pessoa certa. Por várias razões, e vocês e os sportinguistas também se vão aperceber disso ao longo destes dois meses e vão poder constatá-lo quando eu for presidente do Sporting.

Sentiu-se pressionado a avançar por ex-apoiantes de Pedro Baltazar e até de Bruno de Carvalho, ou foi você a dar o grito?

-Foi qualquer coisa mais forte e apareci, não fui empurrado. Havia várias pessoas que me diziam "tu é que eras", mas nem lhes ligava, era uma ideia que nem me passava pela cabeça. Estava muito bem no trabalho onde estava, tinha uma boa remuneração, uma equipa fantástica e nada me faria prever que iria dar uma volta tão grande na minha vida. Mas às vezes são estes apelos que nos movem. Tenho a convicção cada vez mais forte a cada dia que passa que foi a decisão certa.

Sente-se preparado para a "guerra"?

-Espero que não seja uma guerra, porque estão todos fartos de guerra no Sporting. É guerra com tudo e com todos - e haver com sportinguistas não faz sentido. O que faz sentido é haver partilha de ideias. Mas é com raça, sem medo, sem virar as costas que eu vou para esta campanha.

Espera que do outro lado haja a mesma abertura ao diálogo e debate de ideias?

-Espero bem que sim, mas já resvalou para questões pessoais. Espero que aquele discurso, que muita gente estranhou, do atual presidente do Sporting, após a apresentação da minha candidatura, se mantenha. Já mudou de registo. Mas que volte a ele, porque o Sporting está acima de tudo, acima de todos. É muito importante ter isso presente nesta disputa, que vai ser aguerrida, vai ser dura, vai ser renhida e isso faz parte.

Diz que o atual modelo está esgotado. Em que difere o seu projeto?

-Acima de tudo é um projeto coerente. Inicialmente vislumbrei isso em Bruno de Carvalho, com a aposta em Leonardo Jardim, fazendo um esforço para, com pouco, tentar fazer muito, depois com Marco Silva, também, mas agora estamos a voltar aos tempos de Godinho Lopes, que tantos de nós criticámos - o próprio Bruno de Carvalho -, com gastos muito exagerados para a nossa realidade e também para os resultados que temos vindo a obter. Estamos sem um rumo, as pessoas estão baralhadas: será que ele vai contratar muita gente agora, vai despedir? Não existe um projeto. Falava-se de contratações cirúrgicas. Tem ideia de quantos jogadores já foram contratados? Já estamos acima de cem! O meu projeto, sim: vão ser contratações cirúrgicas.