Bancos devem reconhecer valor das dívidas independentemente do credor, defende secretário de Estado

Bancos devem reconhecer valor das dívidas independentemente do credor, defende secretário de Estado

Secretário de Estado das Finanças escusou-se a comentar a situação no Sporting.

O secretário de Estado das Finanças escusou-se a comentar a situação no Sporting, que vive uma crise e terá beneficiado de um perdão da banca, defendendo que o valor das dívidas deve ser reconhecido, "independentemente do credor".

"A situação de um clube de futebol é algo que eu dispensarei comentar. Um credor particular de um determinado banco obviamente que tem a mesma preocupação que temos face a todos os credores relevantes para diferentes instituições", afirmou Ricardo Mourinho Félix, que falava à margem da conferência "Banca & Seguros: O Futuro do Dinheiro", organizada por TSF, Dinheiro Vivo, Iberinform Crédito y Caución e Sage, em Lisboa.

Questionado pelos jornalistas sobre a situação do Sporting, clube que terá beneficiado de um perdão de 94,5 milhões de euros do Novo Banco e do BCP na negociação de uma dívida com estas instituições, o governante disse que "é importante é que cada uma das instituições de crédito, independentemente da natureza do credor, seja capaz de reconhecer nas suas contas aquilo que é o valor efetivo dos créditos".

Só assim é possível "continuar neste processo de redução do crédito malparado, que é fundamental para que os bancos se foquem na sua atividade principal, que é a concessão de crédito à economia, aos melhores projetos, àqueles que geram valor e emprego, e isso sim é fundamental para o desenvolvimento do país", acrescentou o responsável.

Entretanto, também hoje e à margem da mesma conferência, o vice-presidente do BCP Miguel Maya disse que a crise que vive o Sporting preocupa a banca e que espera que se normalize em breve a situação do clube.

"O tema do Sporting é um tema que, obviamente, há de preocupar a banca e gostaríamos de ver a situação do Sporting normalizada num curto espaço de tempo", afirmou.

A polémica que envolve o Sporting agravou-se nos últimos dias, com agressões na terça-feira a jogadores e técnicos na Academia Sporting, em Alcochete, por um grupo de cerca de 50 alegados adeptos encapuzados.

As agressões aconteceram depois da derrota da equipa de futebol no domingo, no último jogo do campeonato, frente ao Marítimo, que fez o clube de Alvalade perder o segundo lugar para o Benfica.

O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, disse na quinta-feira que a direção do clube e a administração da SAD não se vão demitir.

O clube mantém ainda a previsão de uma emissão de dívida para se financiar, apesar da crise que vive.

O Sporting tem vindo a reestruturar a dívida que tem a bancos e, segundo divulgou o Correio da Manhã no início do mês, beneficiou mesmo de um 'perdão' de 94,5 milhões de euros do Novo Banco e do BCP na negociação das condições de uma dívida com estas instituições.

Em 07 de maio, na apresentação de resultados do banco, o ainda presidente do BCP, Nuno Amado, recusou explicar a reestruturação da dívida do Sporting, afirmando apenas que a operação foi feita exclusivamente para salvaguardar os interesses do banco.

Hoje, Ricardo Mourinho Félix foi ainda questionado pelos jornalistas sobre a situação do Montepio, cujos lucros relativos a 2017 foram revistos em baixa para 6,4 milhões de euros, contra os 30,1 milhões de euros apresentados em fevereiro passado.

Sobre esta situação, o governante apontou que "a contabilidade dos bancos está sujeita às normas internacionais de contabilidade".

"Todos os bancos, nos termos do que é a legislação comunitária, seguem essas normas e o que é importante é que as contas traduzam de forma fidedigna a realidade das instituições e que os auditores e os supervisores façam o seu trabalho para assegurar as correções necessárias quando existam questões que suscitam dúvidas", indicou.

Já na sua intervenção na conferência, o secretário de Estado disse que o Governo está a concluir a revisão do regime jurídico dos seguros e que irá apresentar uma proposta ao parlamento em que serão colocadas aos operadores e vendedores de seguros as mesmas regras que há na venda de produtos bancários e financeiros, o que trará "maior proteção" aos consumidores de seguros.