Os momentos decisivos para o adeus de José Peseiro ao Sporting

Os momentos decisivos para o adeus de José Peseiro ao Sporting

Peseiro era à partida um treinador a prazo, só para 2018/19, mas desiludiu e a despedida precipitou-se

A saída de José Peseiro era já uma crónica há muito anunciada, que o próprio combatia com um discurso unanimemente considerado desfasado da realidade quanto à qualidade de jogo exibida, além de desculpabilizante nas constantes repetições sobre o "contexto" complicado que encontrou no balneário. E se o percurso até à eleição de Frederico Varandas pode ser considerado positivo (três vitórias e um empate, com o Benfica, na Luz), desde que o médico assumiu a presidência as coisas não correram tão bem: seis vitórias, algumas "sofríveis", e quatro derrotas que precipitaram uma separação que estava prevista para mais tarde.

Braga, Portimonense, Arsenal e Estoril bateram os leões e ditaram a saída do técnico, que em quatro meses de trabalho (praticamente três deles de competição) não conseguiu colocar a equipa a jogar o futebol desejado por adeptos e Direção. Varandas defendeu o técnico na fase eleitoral, mas com a intenção de ser apenas de transição durante esta época. A goleada sofrida em Portimão (4-2) foi o detonante que agravou o mal-estar da SAD, o rastilho da bomba que explodiu já na madrugada desta quarta-feira: o despedimento de José Peseiro, após o discurso do técnico, em conferência de Imprensa, que esteve longe de agradar aos responsáveis da sociedade, quer sobre a justiça do resultado e o mérito leonino na partida quer sobre os assobios das bancadas.

Para a cúpula que gere o futebol leonino, outro problema detetado é que o técnico ribatejano estaria a perder o balneário, tendo já tido de lidar, nesta curta passagem pelo clube, com dois casos envolvendo jogadores, nomeadamente com Nani e Matheus Pereira.

Frederico Varandas anunciou na campanha eleitoral a criação da Unidade de Performance, pois a preparação física dos atletas do clube - e a sua recuperação - é naturalmente território que o médico domina. Nesse capítulo, os ecos que lhe chegaram dos próprios atletas indiciavam má preparação, algo comprovado com as inúmeras lesões musculares que têm afetado o plantel, e métodos de trabalho pouco convincentes para os jogadores. Quanto à deficiente construção do plantel, é outro aspeto que Varandas pretende corrigir com o tempo, a começar já em janeiro.