"Estavam cansados, não dormiram, se calhar não leram e assinaram"

"Estavam cansados, não dormiram, se calhar não leram e assinaram"

Advogado de Afonso Ferreira, um dos arguidos acusado de ter invadido a Academia do Sporting, explicou por que razão apresentou requerimento para impugnar a genuinidade do auto de denúncia

Miguel Matias, advogado de Afonso Ferreira - um dos arguidos acusado de ter invadido a Academia do Sporting -, apresentou um requerimento para impugnar a genuinidade do auto de denúncia assinado pelos agentes Fábio Castro e Márcio Alves por desconformidade de datas e por este último não ter participado activamente na elaboração do mesmo.

O objetivo é que não seja considerado para efeitos probatórios.

"Afinal os agentes dizem que só enviaram o auto dia 16 ou 17 e não a 15. O inquérito passou a estar classificado como terrorismo a partir deste auto. Invoco a falsidade do auto e não poder ser considerado para efeitos de prova. Seja para efeitos de absolvição ou acusação", começou por explicar o advogado à saída do tribunal.

"O auto antes de o ser já o era. Há grandes incongruências. O primeiro sargento referiu que não teve qualquer contacto com o chefe de segurança, quando no auto diz que o chefe de segurança foi contactado pelo OLA", continuou.

"O auto do órgão de polícia criminal levou à detenção e medidas de coação. Ninguém põe em questão a idoneidade dos militares. Estavam cansados, não dormiram, se calhar não leram e assinaram. Esta prova pode não ser validada para efeitos de acusação ou absolvição", concluiu Miguel Matias.