E todos Rúben Amorim juntou: título pacifica nação Sporting

E todos Rúben Amorim juntou: título pacifica nação Sporting
Rafael Toucedo

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Os lenços brancos ficaram na história e o técnico artífice da conquista do campeonato avisou os adeptos para terem mais paciência no futuro. Fações diferentes do clube fumaram cachimbo da paz.

Da Direção à equipa técnica, jogadores e massa adepta - em particular claques - até aos ex-presidentes de "lados" opostos, o universo leonino uniu-se com o triunfo na Liga NOS que colocou fim a um jejum de 18 temporadas (19 em anos corridos) sem conquistar o título, para defender um clube em paz e com todos em prol dos mesmos objetivos.

No meio desta inversão no sentimento dos sportinguistas, um nome é consensual e considerado o grande artífice da mudança: o técnico Rúben Amorim. Mas também o presidente Frederico Varandas passou a receber louvores de quem, até há pouco, era oposição. A claque Juventude Leonina, uma das mais insistentes na guerra contra Varandas, fumou finalmente o cachimbo da paz e rendeu-se. "Queremos tréguas com todos. O caminho é este", afirmou Mustafá à TVI 24.

Outra figura com peso nos últimos anos da história do clube e que movimentou sempre um mar de adeptos, o ex-presidente Bruno de Carvalho, que primou sempre pela polémica e espírito de confronto, também defendeu que o amor ao clube deve ser mais forte que as diferenças entre os indivíduos e as suas ideias e estratégias: "Hoje é dia de chorar de alegria e de esquecer as diferenças que teimam em não deixar que nos unamos. E, por muito que essas diferenças nos magoem profundamente, hoje é tempo de pensar no que nos liga a todos: o amor pelo Sporting. O Rúben Amorim foi excecional. Conseguiu um controlo do balneário como eu não via faz muito tempo. Foi um verdadeiro maestro de um plantel que quase conseguiu atingir a perfeição. Este plantel foi absolutamente magnífico."

Augusto Inácio, técnico que levou os leões ao título em 1999/2000 e que mais tarde integrou a equipa de Bruno de Carvalho, pediu para as coisas ficarem "mais juntas para que o Sporting possa caminhar tranquilamente". "A união faz a força", atirou Sousa Cintra, ex-presidente que esteve à frente da SAD no período de transição após o ataque à Academia, em 2018. "Hoje é um dia de união, de vitória e de celebração. O Rúben Amorim trouxe-nos a estabilidade que precisávamos. A equipa, ao ganhar jogo após jogo, conseguiu calar os críticos e unir os sportinguistas", comentou Godinho Lopes, outro antigo líder do clube.

Amorim foi uma contratação envolta em polémica, pelo modo como aconteceu e, essencialmente, pelo alto investimento, mas o técnico sempre deu a cara aos detratores. Nunca renegou o seu passado benfiquista, com frontalidade e sem fugir aos temas polémicos como fez ao longo da época sobre os castigos, mas abraçou de corpo e alma o presente e futuro a verde e branco e conseguiu unir o universo leonino.

Um grito de vitória e conciliação vindo de terras de sua majestade

Até Bruno Fernandes, ex-jogador leonino que estava no balneário nos tristes eventos de 2018 na Academia, lembrou aos adeptos que um clube pacificado e unido é mais poderoso. "Compreendam que estar do lado da equipa vai ser sempre melhor e vai sempre tornar a equipa mais forte", escreveu o internacional português nas redes sociais. Mesmo sendo uma das figuras da mesma quando jogou em Lisboa, o médio goleador não escapou à ira dos ultras da claque Juventude Leonina que, encapuzados, invadiram a Academia e agrediram jogadores. Bruno acabou por rescindir, mas voltou atrás pela mão de Sousa Cintra, saindo para o Manchester United já com Varandas ao leme do clube.