"Diziam que matavam toda a gente, era 'filho da p...' para aqui e para ali"

"Diziam que matavam toda a gente, era 'filho da p...' para aqui e para ali"

Secretário técnico do Sporting detalha a agressões perpetradas contra os jogadores e staff dos leões no dia do ataque à Academia.

Depois de descrever um clima de pânico no balneário da Academia do Sporting no dia do ataque às instalações leoninas a 15 de maio de 2018, o secretário técnico Vasco Fernandes detalhou as agressões levadas a cabo contra os jogadores.

"Estavam 20 jogadores, Raul José e dois ou três do departamento médico. Não consigo precisar quantos eram ao todo. No momento das agressões o Ricardo Gonçalves [chefe de segurança] estava lá dentro. Não entraram para falar com ninguém. Começaram a bater logo nos jogadores. Dei por mim a ver agressões. Lembro me do Acuña e do Montero. O Montero levou uma estalada. Tenho essa imagem bem clara. O Acuña também lhe bateram. Mais à direita estava o William, o Patrício e o Batta... Estavam a bater lhes no peito. Acuña foi agredido por mais do que uma pessoa. Agrediam e ameaçavam. Diziam que matavam toda a gente. Quem se metia à frente deles era: 'sai daqui que eu mato-te'. Filho da p... para aqui e para ali", relatou Vasco Fernandes, no Tribunal de Monsanto.

"Outra situação clara para mim, foi à entrada à esquerda, estava o Rafael Leão. Ninguém lhe bateu. Até o cumprimentaram. Disseram que não o lhe iam fazer mal. Atiravam tudo o que havia. Um depósito de água, bolsas de higiene. Vi deflagrarem uma tocha. Comportamento agressivo: bater, ameaçar e destruir. Chegou a um determinado momento em que ouço um dizer: 'está na hora, vamos embora'. Como se tivessem tudo planeado. Saíram e eu fui atrás deles. Fui em Direção à estrada e vi Jesus com a mão cheia de sangue, com o nariz ensanguentado e a falar com o Fernando Mendes, que conheço de vista, e com o Aleluia. JJ estava a pedir satisfações pelo sucedido", contou o secretário técnico do Sporting.