Covid-19 trama Sporting numa operação de factoring: dinheiro de Bruno Fernandes por antecipar

Covid-19 trama Sporting numa operação de factoring: dinheiro de Bruno Fernandes por antecipar
Rui Miguel Gomes

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SAD ia descontar os 55 M€ do seu ex-capitão através de uma entidade alemã, mas esta só cedia 50% devido à covid-19.

A incerteza do mercado financeiro motivada pela covid-19 tramou os leões numa operação de factoring - antecipação de receita com desconto - que, sabe O JOGO, é vital para que os leões possam cumprir com uma série de obrigações económicas, concretamente o pagamento da primeira parcela da transferência de Rúben Amorim do Braga para Alvalade, no valor de cinco milhões de euros (M€).

Em causa está precisamente o montante encaixado pelos leões com a transferência de Bruno Fernandes para o Manchester United, que representa um encaixe de 55 M€ de componente fixa e, de acordo com informações recolhidas pelo nosso jornal, será pago no decurso do próximo ano em quatro parcelas, cada uma de 13,75 M€, o qual pretende-se dar a desconto para que fosse possível entrar em Alvalade no imediato uma verba aproximada da componente fixa, isto porque esta operação estava sujeita a negociação de uma taxa.

Inicialmente, estava em cima da mesa precisamente uma discussão entre os 3% e 5% de comissão de negócio, digamos assim, que levaria a uma oscilação entre os 1,65 M€ e 2,75 M€, que reverteriam para a entidade financeira, que neste caso era alemã. Tudo porque a banca portuguesa, como é sabido, não pode expor-se ao negócio do futebol como em outros tempos. Porém, depois de a covid-19 ter alterado mercados e a sociedade em geral, a referida entidade com quem os leões estavam a negociar deixou claro que não poderia, face à incerteza que se vive, libertar a totalidade da verba do contrato, refugiando-se somente em 50% da verba, o que permitia aos dirigentes leoninos ter uma almofada financeira apenas de 27,5 M€, o que naturalmente não servia os seus propósitos e poderia acentuar problemas de tesouraria.

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Em Alvalade entendeu-se assim que a operação tinha de parar, ficando a SAD limitada ao acordado com o Manchester United, esperando que os prazos de pagamento das parcelas vencessem. Porém, outra via começou a ser trabalhada. O elenco liderado por Frederico Varandas, sempre com o administrador financeiro da SAD e vice-presidente Francisco Salgado Zenha no comando das contas, optou então por outras soluções, nomeadamente abrindo conversações com outras entidades, as quais ainda não estão concluídas para viabilizar a operação. Até lá, a SAD optou por suspender o pagamento de algumas verbas devidas pela sociedade, que estavam contratualizadas, caso de Rúben Amorim, isto também à medida que outras entidades foram solicitando alterações de prazos de pagamento em função da mudança do contexto financeiro da sociedade.

IVA foi ponto e vírgula na polémica

O pagamento do IVA no negócio que levou Rúben Amorim para o Sporting foi o derradeiro episódio na polémica decorrente da falta de cumprimento da primeira parcela do técnico ao Braga. Os minhotos reclamam que o Sporting deve 2,3 M€ referentes ao imposto a pagar ao Estado, próprio de qualquer transação, algo que os leões contestam. Em Braga garante-se que o Sporting deve 13,8 M€, isto porque na contabilidade feita pelos arsenalistas está ainda uma multa de 10%, mais juros, por incumprimento de todos os prazos de pagamento. Os leões remetem-se ao silêncio sobre o assunto, lembrando o "momento excecional" que vivemos.