João Henriques recorda vitória na Luz: "Sentimento de dever cumprido"

João Henriques recorda vitória na Luz: "Sentimento de dever cumprido"

João Henriques fez história com os açorianos ao vencer no Estádio da Luz o campeão em título. A estratégia para o jogo foi "pensada e idealizada até ao mais ínfimo pormenor", contou

O inédito triunfo (4-3) do conjunto açoriano na Luz provocou um autêntico terramoto no Benfica, abalando, ainda mais, os já frágeis alicerces de Bruno Lage no Benfica. Em entrevista a O JOGO, o treinador conta como tudo aconteceu.

O que sente um treinador após vencer pela primeira vez no Estádio da Luz?

- É um sentimento de dever cumprido porque foi um jogo importante, em termos mediáticos, para o Santa Clara e para todos os intervenientes. Mas, sobretudo, é a parte mediática daquilo que é um trabalho de há já muito tempo. Temos feito bons jogos, boas exibições contra outras equipas e vencido jogos em campos difíceis, mas, obviamente, estamos a falar no estádio do campeão nacional e, ainda para mais, da forma como foi: fazer quatro golos no Estádio da Luz. Sentimo-nos orgulhosos do nosso feito, mas conscientes de que o trabalho não está concluído com este jogo bem conseguido e com os três pontos conquistados na Luz.

O que significa esta vitória para a afirmação e consolidação do Santa Clara na I Liga?

- Significa que o Santa Clara está no bom caminho. O clube está a dar passos na sua sustentação e afirmação na I Liga. Já toda a gente sabe e respeita o Santa Clara como um clube de I Liga. Este é um trabalho de muita gente, desde há dois anos a esta parte, de jogo a jogo, passando de equipa que era considerada como o "patinho feio" da competição, onde todos julgavam que o Santa Clara ia ter uma descida certa, para um resultado fantástico que foi o 10.º lugar com 42 pontos. Na Luz, o Santa Clara nunca se escondeu do jogo, mas acima de tudo foi inteligente na forma como soube provocar os erros defensivos que o Benfica tem cometido nos últimos tempos.

Foi esta coragem, esta ausência de receio de jogar com o campeão que abriu caminho para esta histórica vitória do Santa Clara no Estádio da Luz?

- O Santa Clara nunca se escondeu do jogo porque é esta a nossa forma de estar. Olhamos para qualquer adversário com muito respeito, mas sem receio de mostrar a nossa competência. Como equipa, o Benfica também comete erros e cabe-nos fazer com que eles existam com mais frequência. Se não formos uma equipa pressionante, não iremos obrigar os defesas e os médios nas suas fases de construção a errar, mas nós fomo-lo, precisamente, porque precisávamos de pressionar uma equipa que não gosta de ser pressionada, uma equipa que gosta de ter tempo e espaço para pensar e executar e nós retiramos esse tempo e espaço ao adversário, obrigando-os ao erro. Isso foi fundamental para que a estratégia fosse operacionalizada da melhor forma. Isto resulta da coragem que nós temos de fazer as coisas que, normalmente, fazemos em qualquer campo.

Foi a segunda vez na sua carreira que ganhou a um grande. Que valor têm estas conquistas?

- São pontos chave para mostrar o nosso trabalho. Sentimos que quando estamos em clubes da dimensão do Santa Clara, só olham para nós neste tipo de jogos. Tendo já os pontos conquistados anteriormente e, depois, conseguir ainda realizar a exibição que fizemos e com um resultado positivo, foi a cereja no topo do bolo.