"Fair-play" à espera do calendário: a situação do FC Porto e almofada de 22 milhões

"Fair-play" à espera do calendário: a situação do FC Porto e almofada de 22 milhões
André Morais

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O FC Porto continua a preparar-se para cumprir as metas obrigatórias, mas é possível que os prazos venham a ser adiados. Se houver jogos em junho, por exemplo, será impossível vender até dia 30.

A UEFA estendeu ontem o prazo de 31 de março em mais um mês para que os clubes que participam ou se tenham candidatado a participar nas competições europeias provem que não têm dívidas pendentes de impostos ou de taxas das transferências e que cumprem todas as regras obrigatórias. Este mecanismo de fair-play financeiro ganha, para já, um mês extra, de forma a que os clubes se possam reorganizar e tenham tempo e meios suficientes para fazer face às quebras acentuadas que se preveem nas receitas, entre as perdas de bilheteira, direitos televisivos, patrocínios e até outros ganhos indiretos.

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Mas há questões maiores e prazos mais alargados que os clubes também poderão ter dificuldades em cumprir. E esta determinação do organismo que tutela o futebol europeu abre portas para se pensar em mais adiamentos futuros. O FC Porto está em regime de fair-play financeiro e preparava-se para, a 30 de junho, fechar contas e poder sair da supervisão da UEFA, ao cabo de três anos com alguns constrangimentos. Nesta altura abrem-se uma série de dúvidas para as quais não há respostas. Tudo depende, em primeira instância, dos calendários competitivos.

Se a pandemia de Covid-19 deixar de ensombrar a Europa e os campeonatos puderem regressar em junho, então a UEFA deve mesmo avançar para o adiamento do fecho de contas. E isto porque seria impossível a vários clubes, como o FC Porto, usarem esse período para a transferência de alguns dos seus ativos. Em 2017, por exemplo, os dragões venderam André Silva ao AC Milan até 30 de junho e Rúben Neves ao Wolverhampton logo a seguir para cumprirem as suas obrigações. Se agora estiverem a disputar o título, naturalmente não o poderão fazer.

Mas as questões vão muito além desta hipótese e serão discutidas pela UEFA provavelmente quando houver mais definições a propósito dos calendários. Porque até há a possibilidade de o campeonato voltar mais cedo (difícil) ou de de as provas nunca se chegarem a concluir. E daí podem decorrer prejuízos financeiros mais graves para os clubes. A sensibilidade da UEFA será determinante nesta matéria. A decisão revelada ontem, sobre este ponto de controlo intermédio, que para o FC Porto não representaria qualquer problema, indicia que outros prazos podem, então, ser revistos.

Almofada de 22 milhões de euros ajuda dragões

Nesta matéria, a SAD portista acredita que é prematuro tecer qualquer consideração, tendo em conta que o Covid-19 trouxe mais dúvidas do que certezas. O assunto tem sido debatido um pouco por toda a Europa. Em Itália, por exemplo, há quem duvide da forma como a Série A se pode levantar após tamanha crise e a Imprensa acredita em mecanismos fortes de apoio por parte do organismo liderado pelo esloveno (e vizinho) Aleksander Ceferin. Em Inglaterra, o assunto também foi ontem debatido, até porque recentemente o Manchester City foi vítima desse controlo e pode ficar impedido de disputar as competições europeias durante dois anos.

De uma forma ou outra, com ou sem adiamento do prazo, o FC Porto sabe que tem de vender acima dos 100 milhões de euros. Mas está relativamente tranquilo, como Fernando Gomes chegou a anunciar. Há vários ativos de valor no plantel, com Alex Telles à cabeça, pelos desempenhos extraordinários nos últimos meses. Mas também há jovens da formação que têm sido assediados à boleia das boas prestações, essencialmente em 2018/19, época em que os Sub-19 conquistaram a Youth League. E, acima de tudo, porque a SAD transita com uma almofada financeira de 22 milhões de euros, conseguida por ter superado largamente o resultado financeiro obrigatório em 2018/19.

No primeiro semestre de 2019/20, o prejuízo foi de quase 52 milhões de euros, muito inflacionado pelo investimento feito na equipa principal, depois das saídas de Felipe, Militão, Herrera ou Brahimi. O segundo semestre será muito melhor e obrigatoriamente positivo. Além de Telles, há jogadores como Soares, Marega ou Danilo que têm sido associados a vários clubes ao longo dos últimos meses.