"Troféu Teresa Herrera? Estava feito para que o ouro ficasse em Espanha..."

"Troféu Teresa Herrera? Estava feito para que o ouro ficasse em Espanha..."

Líder dos dragões recordou a conquista do troféu Teresa Herrera, em 1991.

Pinto da Costa, no décimo episódio da série "Ironias do Destino", transmitido na noite desta sexta-feira pelo Porto Canal, recordou a conquista do Troféu Teresa Herrera, em Espanha, em 1991.

"Esse torneio tem uma história muito interessante. Fomos convidados e o cachet, na altura, era muito bom e pago antes do início do torneio. A taça normalmente era em prata, mas naquele ano era em ouro. O torneio estava feito para que o ouro ficasse em Espanha. Puseram numa meia-final um FC Porto-Real Madrid, nunca lhes passando pela cabeça de que o FC Porto poderia eliminar o Real que, naquela altura, era poderosíssimo", começou por recordar o líder do emblema azul e branco.

"O que acontece é que ganhámos e fomos à final. Mas ainda não tínhamos recebido o dinheiro e chamei à atenção que tinham de o fazer antes da final. Eles diziam que não tinham dinheiro, que tinha de ser na segunda-feira. Mostrei o contrato e disse que não jogávamos sem cumprirem. Quando chegou o autocarro para levar a equipa, o falecido Reinaldo Teles veio muito preocupado a dizer que tinha chegado e que eles diziam que pagavam depois. Disse para mandar tudo para os quartos e não deixar a equipa sair", continuou, explicando depois que o dinheiro acabou por aparecer e lembrando a versão dos acontecimentos contada pelos espanhóis.

"Como é que eles pagaram? Afinal, o dinheiro apareceu. Vieram com uma história, que até pode ser verdadeira, que o hotel Atlântica tinha um casino e que tinham ido buscar, creio que era 15 milhões de pesetas ao cofre do casino. O que é certo é que pagaram. Depois, o jogo [contra o Deportivo] foi muito emocionante porque chegámos aos 90' e estava empatado. Houve um livre na esquina da área que foi marcado, mas a barreira saiu muito antes e o árbitro mandou repetir e o Aloísio fez um lindo golo de cabeça. Acabou o jogo e eles ficaram furiosos porque não queriam que o árbitro tivesse repetido. No fim disse, não só levo o dinheiro como ainda levo a taça que é de ouro. Não é para vender, vai para o museu. E atualmente está no nosso museu junto dos troféus especiais. Foi uma jornada muito bonita e os jogadores, já nessa altura, sentiram a sua importância. Na altura, ganhar um torneio em Espanha era muito complicado", concluiu.