Stephen Eustáquio: "Sabia que podia chegar aqui, só não sabia quando"

Stephen Eustáquio: "Sabia que podia chegar aqui, só não sabia quando"

Médio explicou o que teve de mudar no seu futebol para conquistar a titularidade no FC Porto depois de meio ano a aprender a lidar com a pressão

Eustáquio está ao serviço do Canadá e, sendo uma das principais figuras da seleção, tem centrado as atenções da Imprensa do seu país. O médio concedeu uma entrevista à televisão "TSN" em que explicou como conquistou a titularidade no FC Porto depois de meio ano em que, disse, aprendeu a estar numa equipa grande e a "lidar com a pressão".

As saídas de Vitinha e Fábio Vieira, admitiu, também ajudaram ao novo estatuto. Eustáquio recordou ainda a fase mais complicada da carreira, quando sofreu uma grave lesão que o obrigou a "recomeçar" do zero. A paciência, contou, foi o segredo porque sempre soube que podia chegar a um grande. "Só não sabia quando".

Emprestado pelo Paços de Ferreira em janeiro, Eustáquio fez 11 jogos e convenceu o FC Porto a avançar para a sua contratação a título definitivo. A partir da deslocação a Barcelos, no início do mês, não mais largou o onze, tornando-se no parceiro de Uribe no setor intermediário dos dragões. "Obviamente, sabe muito bem ser titular no FC Porto. Na época passada, tínhamos uma grande equipa e foi mais um processo de aprendizagem sobre como estar num equipa grande e com muita pressão. Depois, saíram alguns jogadores e apareceu uma vaga. Lutei por ela e estou muito feliz por fazer parte das escolhas iniciais num clube como o FC Porto", contou.

Além da adaptação e do "alívio" da concorrência interna, contudo, Eustáquio apontou outros fatores que, na sua opinião, convenceram Sérgio Conceição a abrir-lhe as portas da equipa. "Sempre fui de jogar simples, jogava bem, mas de uma forma simples. Num clube maior, como o FC Porto, tens de assumir o risco, não te podes limitar a cumprir no teu espaço, a fazer alguns passes... tens de assumir riscos. Subi no terreno para tentar marcar e assistir e foi assim que conquistei o meu espaço", explicou o médio portista que esta tarde defronta o Catar num particular que será disputado em Viena, Áustria e que servirá para os "Canuks" aquecerem os motores para a segunda presença da história num Mundial de futebol.

Para Stephen Eustáquio a experiência que está a acumular no FC Porto, onde defronta grandes equipas e disputa provas internacionais, será muito importante para o torneio que se disputará em novembro e dezembro. "Quando jogamos a Liga dos Campeões ou disputamos clássicos é excelente para mim porque há imensos bons jogadores do outro lado. Com o Atlético de Madrid, por exemplo, defrontei o Witsel, que agora vamos defrontar contra a Bélgica [o primeiro adversário no Grupo F]. É um "cheirinho" antes do Mundial, uma experiência para eu crescer e que posso trazer para aqui", apontou.

Titular no FC Porto e estrela no Canadá, Eustáquio pode, aos 25 anos, estar numa das melhores fases da carreira, mas pelo caminho enfrentou vários desafios, como a grave lesão - rotura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo - que sofreu quando estava ao serviço dos mexicanos do Cruz Azul, então treinados por Pedro Caixinha.

"Sabendo que tive de começar do zero, sabe melhor estar aqui agora", considerou antes de resumir o seu percurso. "Estava num clube pequeno em Portugal [Chaves], fui para o México, tive a lesão e regressei a Portugal [Paços de Ferreira] para recomeçar, ganhar confiança e mostrar o meu futebol. Sabia que podia chegar aqui, só não sabia quando. Por isso, estou muito feliz, mas vou trabalhar para ser melhor", prometeu, admitindo que a paciência foi fundamental durante a recuperação da grave lesão. "Era dia a dia. Queria regressar, mas existia o medo de não ser o mesmo de antes, de ser tão intenso no meu futebol. Felizmente, com trabalho fui capaz de voltar. E sinto-me melhor agora do que antes, mas quero continuar a crescer. Quero aprender e ser um jogador ainda mais completo", concluiu.