Só a Champions tirava Loum das peladinhas na terra batida

Só a Champions tirava Loum das peladinhas na terra batida

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António M. Soares

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Das ruas de Dacar, capital do Senegal, ao FC Porto, os últimos cinco anos de vida de Mamadou Loum têm sido sempre a crescer

Das ruas de Dacar, capital do Senegal, ao FC Porto, os últimos cinco anos de vida de Mamadou Loum têm sido sempre a crescer, alicerçado em objetivos bem definidos, construídos na infância, no futebol de rua, que interrompia apenas para assistir aos jogos da Liga dos Campeões onde houvesse uma televisão ou um computador com internet. O JOGO conta-lhe parte da história do último reforço dos portistas no mercado de inverno.

O pai, Ousseynou Ndiaye, era médio, ou defesa-central, jogou no US Gorée e no ASFA e foi a primeira fonte de inspiração do pequeno Mamadou. O irmão mais velho, Yeggo, também já tinha sido apanhado pelo "bichinho" da bola e cada jogo no bairro onde residia era como participar numa grande final. Apesar de a mãe insistir nos estudos, foi no US Ouakam que Loum, sempre influenciado pelo pai, começou a jogar mais a sério, dividindo o seu tempo entre a escola, o futebol nas ruas de terra batida de Dacar e os pelados do clube. Malick Dipo e Abatalib Fall foram os primeiros treinadores que deitaram mãos à obra para começar a lapidar o "diamante" que o pai, Ndiaye, via nele. Foi neste mundo que Loum foi crescendo até ser detetado por Joseph Koto, ex-selecionador dos sub-20 do Senegal, que passou a assistir regularmente aos seus jogos. Em pouco tempo, a vida de Loum começou a mudar. "Detetei-o no US Ouakam, destacava-se dos outros nos jogos que vi. Mas quis perceber como era a família dele e o ambiente em que crescia para avaliar melhor a situação. Como todos os miúdos da idade dele, jogava futebol na rua e, por vezes, é logo aí que se percebe se têm potencial, ou não", contou Koto a O JOGO, "mas para mim foi muito importante os pais terem-lhe dado boas condições e de ele ter sido alimentado como um jovem da idade dele deve ser", sublinhou. O facto de pertencer a uma família onde as condições básicas estavam asseguradas acabou por se revelar decisivo. "No Senegal, a alimentação correta é um dos maiores problemas para os jovens, porque pode condicionar muito o desenvolvimento de uma criança, especialmente para quem tenta chegar a uma via profissional, como era o caso dele", frisou o selecionador.

Pelo caminho, a mãe não tardou a perder a batalha dos estudos... Loum teve de deixar a escola para se dedicar ao futebol. A enorme vontade para aprender, demonstrada desde o primeiro dia e que ainda hoje tem, revelou-se decisiva. "Acabei por chamá-lo à seleção. No início, não era titular, trabalhou e foi para o banco. O carácter, a coragem e a entrega dele levaram a que se tornasse titular. Mas começou tudo com uma conversa que pediu para ter comigo, disse-me que podia confiar nele, que não me iria deixar ficar mal e apostei nele, dei-lhe uma oportunidade a partir dali. De facto, não me arrependi, porque não só deu conta do recado, como superou as minhas expectativas", lembra Koto.