"Sinto-me em casa"

Em declarações ao L'Equipe, o internacional francês coloca de parte a hipótese de sair, em janeiro. Se há um caminho para o Mundial, está disposto a fazê-lo com a camisola do FC Porto. Seis meses de excelência podem levá-lo ao Brasil

Mangala sente-se "em casa" no FC Porto e é a partir do Dragão que, com "seis meses" de excelência no eixo da defesa de Paulo Fonseca, pretende reconquistar um lugar na seleção francesa. A única experiência, em junho, no particular perdido para o Uruguai (0-1), correu mal. Didier Deschamps não voltou a convocá-lo, mas, o central, 22 anos, está disposto a discutir o lugar na convocatória para o Mundial do Brasil. "O futebol é o momento", sublinha: "Se for excelente, nos próximos seis meses, o meu desempenho terá de ser levado em conta. É o que fazemos no terreno que conta".

A 5 de junho, em Montevidéu, Mangala estreou-se na seleção de França. Um instante de ingenuidade, num lance com Luis Suarez, do Liverpool, resultou na derrota (1-0). "Revi o golo, como sempre faço, para perceber e analisar os meus erros, mas, não se tornou uma obsessão", declarou, ao L'Equipe.

Mangala não foi o único a falhar. No jogo de preparação seguinte, o Brasil (3-0) acentuou as fragilidades da defesa francesa e a solução de Deschamps, na convocatória seguinte, foi chamar de volta Éric Abidal, 34 anos. "Talvez tenha sido por isso, mas, não o vejo assim. Toda a gente comete erros", defendeu-se Mangala, para quem o compatriota do Mónaco faz todo o sentido na seleção: "Tem currículo e uma grande experiência. Alguns vão dizer que é velho, mas, eu acredito que cada jogador tem algo para dar à equipa. É alguém com quem podes aprender. Tem estatuto. Eu tenho um currículo curtíssimo na seleção".

Se há um caminho que pode conduzi-lo ao Brasil, está nos pés de Mangala encontrá-lo. "A partir do momento em que não sou chamado, parto em desvantagem. Compete-me fazer melhor do que os que lá estão", resume, sem medo de enfrentar o futuro. "O futebol é o momento", acredita, disposto a aproveitar tudo o que o FC Porto tem para lhe dar, na reconquista da seleção.

A ausência da Liga dos Campeões não será atenuante para Mangala perder visibilidade. De resto, não lhe faltaram as oportunidades para sair, no verão. Não sente "nenhum" arrependimento e, quanto a uma transferência de inverno, também não vê vantagens. "Da primeira vez que fui chamado, também jogava no FC Porto... Hoje, estou num contexto em que me sinto em casa, em que posso continuar a progredir e a jogar com regularidade. além disso, é sempre arriscado sair antes de um grande torneio".

"Uma saída não está na ordem do dia", precisou, sem deixar que a recente ligação a Jorge Mendes seja tomada com um sinal de transferência iminente. Mangala sabe que tem nele próprio as ferramentas para chegar ao Mundial e é só nisso que confia: "Podes ter o melhor agente do mundo, mas, se não tiveres um bom desempenho em campo, não verás os grandes clubes".

A próxima convocatória de Didier Deschamps, a 5 de março, será um rascunho da lista para o Mundial. "Seria, talvez, um mau sinal" não estar entre os escolhidos para esse jogo particular com a Holanda, admite Mangala, mas, "entre março e maio ainda há muitos jogos e muito pode acontecer", remata: "De novo, o futebol é o momento".