"Seria a surpresa do ano se o FC Porto não ganhasse a Taça de Portugal", diz Augusto Inácio

"Seria a surpresa do ano se o FC Porto não ganhasse a Taça de Portugal", diz Augusto Inácio
Redação com Lusa

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Augusto Inácio, ex-defesa e adjunto portista, vê os dragões "numa fase muito boa" e denota "grande desilusão" em Tondela pela descida. Trabalho de Sérgio Conceição muito elogiado

O FC Porto "tem tudo" para conquistar domingo a final da Taça de Portugal frente ao Tondela e lograr a sua nona dobradinha, reconhece o ex-futebolista e treinador Augusto Inácio, prevendo que o "estado de espírito conte muito".

"O FC Porto é o grande favorito. Joga bem, é campeão nacional, tem uma grande equipa, e um grande treinador, e está a passar por uma fase muito boa. Realmente, tem tudo na mão para vencer. O Tondela também quer isso, até porque está nesta final pela primeira vez. Há sempre aquela ansiedade e o sonho de levantar o troféu, pelo que vai fazer tudo por tudo para ser feliz", projetou, à Lusa, o ex-defesa dos dragões.

O campeão nacional FC Porto, com 17 troféus, e o estreante Tondela disputam no próximo domingo, a partir das 17h15, a conquista da final da 82.ª edição da prova rainha, que volta ao Estádio Nacional, em Oeiras, após ter sido realizada nas últimas duas temporadas, à porta fechada, em Coimbra.

"O estado de espírito também conta muito. A desilusão foi muito grande em Tondela pela recente despromoção à II Liga, e isso tem o seu peso numa final destas. Seja como for, o Tondela nada tem a perder e já fez uma grande Taça de Portugal. Claro que o vencedor fica para a história, mas seria a surpresa do ano se o FC Porto não ganhasse", apontou.

Augusto Inácio vislumbra como "grande figura" da época dos dragões o treinador Sérgio Conceição, que superou "um momento muito conturbado na vida do clube" através "dos resultados, da sua maneira de ser e através da comunicação que foi fazendo para fora".

"Perguntaram-me há uns tempos qual foi o melhor jogador do FC Porto neste campeonato e respondi Sérgio Conceição. Conseguiu com que o FC Porto fosse sempre uma equipa muito competitiva. Esperava-se que pudesse ter uma quebra com a saída em janeiro do Luis Díaz, que resolvia muitos jogos e era o melhor jogador do clube. Encontrou, dentro do plantel, soluções para suprir essa grande baixa", lembrou.

O vencedor de duas edições da Taça de Portugal pelo FC Porto crê que essa consistência "só está ao alcance dos que trabalham bem há vários anos", vendo uma "relação especial" entre o presidente do clube, Pinto da Costa, e Sérgio Conceição, cujo "grande objetivo é desportivo e não financeiro".

"O treinador não está à espera que caia alguma coisa do céu. As coisas acontecem com naturalidade. Se aparecer um clube de "top", que lhe dê garantias para lutar pela Liga dos Campeões, acredito que o Sérgio Conceição possa sair, mesmo que goste muito do FC Porto. Se forem clubes que não têm essas ambições, mesmo que paguem a cláusula de 10 milhões de euros e ofereçam o dobro ou o triplo do salário, acho que não sai", atirou.

Sérgio Conceição, de 47 anos, pode tornar-se o único treinador da história do FC Porto a repetir a dobradinha, numa final que deve marcar o fim de quatro temporadas de ligação do congolês Chancel Mbemba, que está em fim de contrato e foi "um esteio na defesa". Há dois anos, "bisou" na final com o Benfica (2-1).

No extremo oposto do campo, Augusto Inácio, de 67 anos, julga que a "profunda tristeza" gerada pela descida do Tondela à Liga SABSEG, sete anos depois, "está na cabeça de todos os que trabalham naquela casa", mesmo perante a "oportunidade de escreverem história".

"O Tondela pode agarrar-se à possibilidade de estar na montra e atingir um feito nunca alcançado na vida do clube. Por isso, é com um misto de expectativa e tristeza que encara este jogo. Os jogadores vão fazer tudo, não digo para minorarem uma descida, mas, pelo menos, para ganhar. Seria importante para o ego daquelas gentes", afiançou.

Lembrando que os beirões "estiveram várias vezes para descer" nos últimos anos, com "fases complicadas e alguns milagres" pelo caminho, o antigo internacional português diz não entender como é que o clube "não aprendeu com o tempo" a encontrar soluções capazes de "dar um salto e poder respirar melhor" nas sucessivas campanhas na I Liga.

"O Tondela tinha boa equipa para se manter, mas, quando se está nos últimos lugares, costuma-se dizer que é bastante difícil sair do fundo do poço. O Tondela nunca esteve numa posição desafogada e andou todas as jornadas com a corda na garganta, havendo um desgaste psicológico e físico muito grande. Alguma coisa falhou no caminho, sendo que, quando se desce, não se ganha desportivamente nem se valoriza atletas", concluiu.