"Relação pai/filho é difícil de gerir. Espero que Francisco Conceição continue a mostrar que tem qualidade"

"Relação pai/filho é difícil de gerir. Espero que Francisco Conceição continue a mostrar que tem qualidade"
André Morais / Manuel Casaca

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António Sousa, que treinou o filho, Ricardo Sousa, na Sanjoanense e no Beira-Mar, admitiu que gerir a relação entre o pai treinador e o filho jogador é complicado.

1 - Foi treinador do seu filho, Ricardo. Como é feita a gestão da relação quando o pai treina o filho?

-É muito complicado. Tive a felicidade e essa possibilidade na Sanjoanense, quando promovi o Ricardo dos juniores aos seniores. É difícil de gerir, porque existe sempre alguma desconfiança por acharem que joga por ser filho do treinador. Aquilo que lhe tiver de ser dito, será de igual forma como aos restantes jogadores. Naturalmente, ele sente mais responsabilidade do que outro jogador qualquer, precisamente por ser filho do treinador.

2 - Não há o risco de o pai prejudicar o filho?

-Pode acontecer, de facto. Lembro-me que quando o Ricardo foi do FC Porto para o Beira-Mar, esteve três/quatro jogos a ver "o comboio passar". Inicialmente não o pus a jogar, mas depois entrava e mostrava que tinha valor para ser titular. Procurei sempre fazer ver ao grupo que ele era mais um e que não era o filho do treinador. Felizmente a relação foi sempre boa e positiva. O Ricardo acrescentou sempre mais qualquer coisa e espero que o filho do Sérgio [Conceição], que é ainda um jovem, continue a mostrar que tem qualidade. Com o tempo vai demonstrar que é um grande valor do futebol mundial.

3 - Não há essa tendência de levar trabalho para casa?

-Em casa pouco ou nada falávamos do futebol ou até daquilo que se passava no balneário. Quando os próprios colegas percebem que não é transmitido nada para o exterior daquilo que se passa no balneário, a confiança é total e plena.