Pinto da Costa: "Se pedem para tirar uma foto, não deve ser para depois me cortarem a cabeça"

Pinto da Costa: "Se pedem para tirar uma foto, não deve ser para depois me cortarem a cabeça"
Bruno Filipe Monteiro

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Pinto da Costa explicou a aposta do FC Porto no ciclismo e como lida com a fama no dia a dia. Declarações em mais um episódio do programa "Ironias do Destino", do Porto Canal.

Regresso do ciclismo ao FC Porto: "Gosto muito de ciclismo. Lembro-me que tinha 10 anos e de ir para a Avenida dos Aliados à espera do Fernando Moreira, que tinha ganho a Volta a Portugal. Nessa altura, a hegemonia do ciclismo eram do Nicolau e do Trindade, que eram corredores do Benfica e do Sporting, e o FC Porto nunca tinha ganho. Nesse ano o Fernando Moreira meteu-se nessa luta, ganhou a Volta a Portugal e foi uma loucura a sua chegada à Avenida dos Aliados para ser recebido na nossa antiga sede. A partir daí, fiquei com uma grande paixão pelo ciclismo. Mesmo quando não tinha qualquer responsabilidade no clube, acompanhava as Voltas a Portugal, ia ver os ciclistas a passar nas mais diversas localidades. Não era só por gostar de ciclismo, mas lembro-me de ter estado num jantar de portistas em Viseu, ainda antes de termos ciclismo, e as pessoas diziam que eram portistas porque quando havia ciclismo, os ciclistas do FC porto 'passaram à minha porta'. E percebi a importância que tinha, não aqui na cidade, mas pelo país fora, a quantidade de portistas que o eram fruto de terem visto os atletas do FC Porto a vencer."

Ambição e parceria: ""Portanto, era uma ambição que tinha. Um dia apareceu-me o senhor Quintanilha, com uma equipa de ciclismo, a querer fazer uma parceria. Esta história é interessante, porque mostra a personalidade do senhor. Ele é ou era sportinguista, porque hoje acho que ele é mais portista, e estava em conversações com o Sporting. Só que o Sporting não o tratou com o mínimo de cortesia. Pensava que estava a fazer um favor, ele não gostou e veio aqui, através de um amigo meu de Felgueiras, que gostava muito de ciclismo e conhecia o senhor. Eu nem o conhecia. Combinámos uma estratégia, abracei logo o projeto de alma e coração, ele também gostou muito, mas disse-me: "Olhe, amanhã tenho uma reunião com o Sporting. Portanto, não assino nada até dizer ao Sporting que vou assinar convosco por uma questão de ética. Mas tenho um almoço com eles na Mealhada, vou falar-lhes e dizer que não faço. Segunda-feira estou aqui para fazer convosco". E assim foi. Desvinculou-se dos acordos que tinha com o Sporting e fez uma parceria connosco. "

Sucesso: "Teve logo sucesso, porque nesse ano ganhamos a Volta a Portugal, através do Rui Vinhas. É uma parceria que já foi renovada, porque teve grande sucesso. De então para cá, todas as Voltas a Portugal foram ganhas por atletas da W52/FC Porto. Já ganharam vários e este ano estou convencido de que vamos ganhar novamente. Ele [Adriano Quintanilha] tem muito orgulho em dizer que nunca perdeu uma Volta com o FC Porto. Eu também e tenho a certeza que esta parceria vai durar muito tempo, porque ele é um grande entusiasta de ciclismo e, portanto, vai perdurar e continuo a acreditar no sucesso."

Reconhecimento na rua: "Já estou habituado e não me afeta nada. Pelo contrário, até acho que as pessoas são muito simpáticas. Se uma pessoa pede a outra para tirar uma fotografia, é porque lhe dá gosto. Se lhe dá gosto, é uma oportunidade que tenho... Nunca digo que não, porque se me pedem isso, é porque têm estima por mim. Portanto, não posso retribuir essa estima com antipatia. São pessoas que têm o mesmo sentimento que eu em relação ao FC Porto; é porque gostam do clube. Por vezes também me aparecem alguns que dizem que gostam de outros clubes, mas pronto, também trato com simpatia. Se pedem para tirar uma fotografia comigo, não deve ser para depois me cortarem a cabeça, porque agora são digitais e não dá para isso [risos]. Não faz de mim uma pessoa mais simples. Quando era criança, lembro-me que também pedia ao autógrafos. A presidentes não, mas pedia a jogadores e tinha livros de autógrafos. Se as pessoas têm estima por mim, não faço favor nenhum em retribuir-lhes a simpatia. O mínimo que posso fazer é aceder ao que eles querem."