Pinto da Costa: "Quando precisámos de ajuda foi-nos dado zero. Não é 0,1, é zero"

Pinto da Costa: "Quando precisámos de ajuda foi-nos dado zero. Não é 0,1, é zero"
Carlos Gouveia

Tópicos

Presidente do FC Porto abordou as dificuldades financeiras causadas pela pandemia e lamentou a falta de apoio.

Pinto da Costa abordou as dificuldades financeiras inerentes à pandemia de covid-19, em mais um episódio do programa "Ironias do Destino", do Porto Canal.

"Dificílimo, quase impossível. De um momento para o outro ficámos sem qualquer receita. Os sócios, na sua maioria, deixaram de pagar quotas, os camarotes deixaram de ser pagos, os lugares cativos não foram vendidos, o merchandising desceu porque as lojas tinham de estar fechadas. Tivemos um prejuízo de 27 milhões de euros e quando precisámos de ajuda foi-nos dado zero. Não é 0,1, é zero", atirou o presidente do FC Porto.

"Chegou ao ponto ridículo de precisarmos de um financiamento de dois milhões de euros, num final de um mês, para pagar salários a funcionários e os impostos, e recorremos ao Novo Banco para nos emprestar, recorremos à federação e o presidente, junto do Novo Banco, explicou-lhes que o FC Porto ia receber uns milhões da participação na UEFA e que esse dinheiro vinha através da FPF que se comprometia a pagar ao Novo Banco diretamente esses dois milhões. Risco nenhum... O negócio dos bancos é emprestar dinheiro, mas pelos vistos, agora, é estragar dinheiro. Depois de todas essas garantias esse empréstimo foi recusado. Felizmente, resolvemos isso com um banco alemão, mas um português, que nós pagamos e que tem ajudas do Estado, mas nem com os nossos milhões nos emprestou dois milhões. E isso chegou até ao presidente do banco, que dizem que é um iluminado. António Ramalho recusou o empréstimo", lembrou.

"Conseguimos resolver um problema com a Altice, com um pequeno atraso, mas manteve sempre os pagamentos e tivemos uma empresa que foi impecável e que cumpriu integralmente que foi a Super Bock, que foi a única fonte de receita. Foram 27 M€ que foram ao ar sem qualquer ajuda, sem qualquer licença para adiar impostos, nada. Com a agravante de ainda nos estarem a dever dinheiro, o Estado deve-nos de devolução do IVA e o dinheiro está lá e empurram uns para os outros. Falei nisso ao primeiro-ministro na final da Champions e julgava que estava resolvido. Está, mas para o lado deles, que é onde está o nosso dinheiro", rematou.