Pinto da Costa e os sinais para Mourinho: "Acendia e apagava as luzes três vezes"

Pinto da Costa e os sinais para Mourinho: "Acendia e apagava as luzes três vezes"
Ana Luísa Magalhães

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Em mais um programa "ironias do destino, do Porto Canal, Pinto da Costa lembrou a chegada de José Mourinho ao FC Porto.

José Mourinho: "Tem uma história interessante, que muitos não compreenderam, a começar pelo próprio Octávio, que julgou que o Mourinho tinha sido contratado para o substituir, o que não corresponde à verdade. Estava na minha vida normal e telefonou-me um amigo que era empresário, na altura empresário do Mourinho, o Jorge Baidek. Disse-me: "presidente, olhe que o Mourinho vai para o Benfica". O Mourinho não está bem no Leiria? "Só não assinou já, porque o José Veiga, que era o empresário que estava a fazer a transição, quer estar presente e foi passar o Natal ao Luxemburgo. Vem no dia 28 e no dia 29, às seis da tarde, vai ser apresentado. Se o senhor quiser, eu levo-o aí, falamos e de certeza que se ele puder ir para o FC Porto em vez do Benfica, ele prefere"."

Sinais de luzes para Mourinho: "São as tais ironias do destino. Combinámos para o dia 28, dia do meu aniversário e dos santos inocentes, de que eu faço parte. Tinha um jantar em minha casa e disse que tinha de ser depois do jantar. Eu ia fazer para que as coisas não corressem até muito tarde. Ficou combinado que, quando estivesse livre, acendia e apagava a luz três vezes. Eles estavam num largo que tinha em frente, no carro, à espera. Era meia-noite e eu comecei: "ai, estou tão cansado", para ver se as pessoas saíam."

Acordo de madrugada: "À meia-noite, o Mourinho entrou com o Baidek. Expusemos a situação, ele contou que iria para o Benfica, havia só uma dúvida, porque ele não queria o adjunto que o Benfica queria, mas estava tudo preparado, já tinha comunicado ao João Bartolomeu, presidente do Leiria, que saía. Eram três da manhã, acordei o doutor Adelino Caldeira para vir fazer o contrato com o Mourinho. Ficou combinado que o Mourinho se manteria em Leiria, não era para vir [logo] para o FC Porto e no ano seguinte é que viria. Ficou tudo assinado, recordo-me que tinha já três jogadores contratados e lhe disse: 'Mourinho, há três jogadores que estão contratados para primeira época: o Paulo Ferreira, do V. Setúbal, o Pedro Emanuel, do Boavista e o Maniche, que vem do Benfica, mas não está a jogar'. Ele disse "sim senhor, aprovado, três bons jogadores. Enquadram-se no que eu quero". E ficou assente assim e o Mourinho foi à vida dele, telefonou ao João Bartolomeu e dizer "olhe, afinal não saio, só saio no final da época". O Bartolomeu ficou muito satisfeito."

Mudança de planos: "As coisas começaram a correr muito mal no FC Porto. Lembro-me que numa semana tínhamos três jogos decisivos. Um era em casa com o Braga, para a Taça de Portugal, e perdemos. Na quarta-feira, jogámos no Bessa, voltamos a perder e no fim de semana jogámos com o Sporting em casa e empatámos. Acabou por determinar um mal-estar e uma classificação que não era adequada. Foi em casa do Reinaldo que se consumou o acordo com o Octávio, que deixou o FC Porto."