Pinto da Costa nunca tinha "despedido" após janeiro

Pinto da Costa nunca tinha "despedido" após janeiro

Paulo Fonseca é o sétimo treinador dos dragões a deixar o comando técnico com o atual presidente portista

Paulo Fonseca é o sétimo treinador do FC Porto a deixar o comando técnico na "era" Pinto da Costa, iniciada há 32 anos, e apenas o quinto a sair no decorrer do campeonato nacional de futebol.

O treinador, que hoje completa 41 anos, junta-se a Quinito (1988/89), Tomislav Ivic (1993/94), Octávio Machado (2001/2002), Luigi Del Neri e Victor Fernandez (ambos em 2004/2005) e Co Adriaanse (2006/2007). Deste sexteto, Del Neri e Adriaanse não passaram, porém, da pré-temporada, sendo que o italiano foi despedido ao abrigo dos três meses de experiência, e o holandês abandonou em pleno estágio de preparação para o que seria a sua segunda época nos dragões, após a conquista do título em 2005/2006.

O treinador que na época passada levou o Paços de Ferreira ao terceiro lugar do campeonato e arrancou a presente temporada com a conquista da Supertaça (3-0 ao Vitória de Guimarães) passa a ser também o primeiro a sair pós janeiro.

Eleito pela primeira vez presidente a 17 de abril de 1982, Pinto da Costa só trocou de treinador em 1988/89, quando despediu Joaquim Duro de Jesus, vulgo Quinito, depois de uma goleada por 5-0 sofrida em Eindhoven, com o PSV, para a Taça dos Campeões. Curiosamente, Quinito estava invicto no campeonato, com cinco vitórias e seis empates, para um total de 16 pontos, que valiam o terceiro posto, a dois pontos do líder Benfica. No imediato, Alfredo Murça orientou a equipa dois jogos, interinamente, antes do regresso de Artur Jorge, com o qual a equipa azul e branca terminaria o campeonato no segundo posto, a sete pontos dos encarnados.

A segunda "chicotada" aconteceu em 1993/94, com o croata Tomislav Ivic, na sua segunda experiência no clube, a cair após a 17ª jornada do campeonato, quando seguia em terceiro, a um ponto do Sporting e quatro do Benfica. O inglês Bobby Robson, que havia sido despedido pelo Sporting, foi o escolhido e acabou o "nacional" no segundo posto, a dois pontos do Benfica. Viria a ser campeão nas duas épocas seguintes (1994/95 e 95/96).

Quase uma década depois, em 2001/2002, Octávio Machado, que começou a época a vencer a Supertaça, foi a terceira vítima, caindo na 19ª ronda, após um desaire por 2-0 com o Boavista, que deixou os azuis e brancos a sete pontos do líder Sporting. O seu substituto foi José Mourinho, que nada ganhou até ao final da época -- terceiro no campeonato, a sete pontos do Sporting -, mas ganhou tudo nas seguintes, nomeadamente a Liga dos Campeões e a Taça UEFA, sem esquecer dois campeonatos.

Bem mais atípica foi a época 2004/2005, com o italiano Luigi Del Neri a ser despedido em plena pré-temporada, depois de os dirigentes portistas acharem que não servia. O espanhol Victor Fernandez foi o eleito e ganhou a Taça Intercontinental e a Supertaça, mas não resistiu aos maus resultados no campeonato. Caiu após 19 rondas e uma derrota caseira por 3-1 com o Braga, a 30 de janeiro de 2005. Os dragões eram quartos, mas a apenas dois pontos dos arsenalistas, surpreendentes líderes. Seguiu-se José Couceiro, que lutou pelo título até à última jornada, mas sem sucesso, já que o Benfica perdeu menos três pontos.

A última mudança datava, até hoje, de 2006/2007, quando Co Adriaanse "bateu com a porta" no estágio de pré-época, sendo substituído interinamente por Rui Barros, que, depois de vencer a Supertaça, cedeu a "pasta" a Jesualdo Ferreira. O técnico que estava a preparar o Boavista acabou por ganhar o campeonato, sendo que, a exemplo de Victor Fernandez, não começou em desvantagem pontual.

Mais de sete anos volvidos, o FC Porto volta a mudar de treinador, com Paulo Fonseca a não resistir ao terceiro posto no campeonato, a nove pontos do líder Benfica e a quatro do Sporting, segundo classificado. Para já, e interinamente, o substituto é Luís Castro, o treinador da equipa B, que lidera a II Liga.