Pinto da Costa lembra ameaça de bomba em Roterdão: "Disse 'então cá estaremos'"

Pinto da Costa lembra ameaça de bomba em Roterdão: "Disse 'então cá estaremos'"

Presidente do FC Porto diz apenas recear "um dia vir a ter medo de alguma coisa".

A 3 de novembro de 1993, o FC Porto jogou na mítica "Banheira de Roterdão", casa do Feyenoord, numa partida referente à qualificação para a Liga dos Campeões que ficou marcada por um ambiente hostil para os azuis e brancos que incluiu até uma ameaça de bomba.

Esta terça-feira, em novo episódio da série "Ironias do Destino", sobre os 39 anos de presidência de Pinto da Costa, o dirigente máximo dos azuis e brancos recordou os momentos de tensão que antecederam esse encontro, que acabaria empatado (0-0) e daria o apuramento ao FC Porto.

"Estávamos na qualificação para a Liga dos Campeões com o Feyenoord, que era o campeão holandês. O seu estádio é conhecido como a banheira de Roterdão pelo impacto que tem sobre os adversários. Tínhamos ganho aqui 1-0 e adivinhava-se um segundo jogo muito difícil, foi criado um ambiente nas próprias televisões da Holanda por causa de um incidente que tinha havido entre um jogador nosso e um deles. Criaram um ambiente hostil à volta disso e na véspera do jogo, eram duas da manhã, acordei com o Reinaldo Teles a bater-me à porta do quarto com dois sujeitos, um do hotel outro da polícia, a dizer que tínhamos de evacuar o hotel porque havia uma ameaça de bomba", começou por contar Pinto da Costa.

"Achei estranho, porque se houvesse realmente uma ameaça ninguém ia pedir autorização para evacuar. Perguntei a que horas ia explodir a bomba, disseram que dentro de uma hora. E eu disse: 'Então, a gente cá está, estamos sempre unidos na vida e vamos unidos para a morte, não há problema'. A prova de que era uma invenção para tirar a equipa do descanso é que se houvesse perigo não iam aceitar. Depois soubemos que não era um elemento da polícia, era uma encenação. A resposta da equipa foi um jogo excelente, conseguimos o empate e fomos pela segunda vez à fase seguinte da Liga dos Campeões", lembrou o líder portista, que garante ter apenas medo de uma coisa: "A única coisa de que tenho medo é se um dia vier a ter medo de alguma coisa. Para já, não tive medo de nada", rematou.