Pinto da Costa fala da cirurgia ao coração: "Todos os anos junto os médicos que me operaram"

Pinto da Costa fala da cirurgia ao coração: "Todos os anos junto os médicos que me operaram"
Ana Luísa Magalhães

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Em novo episódio da série "Ironias do Destino", do Porto Canal, Pinto da Costa recorda o ano de 2012 e a necessidade de uma cirurgia ao coração

Cirurgia ao coração: "Já estava há dois ou três anos a saber que precisava de fazer a operação. Tinha a [artéria] aorta dilatada e o doutor Puga estava-me sempre a dizer isso. Um dia disse 'quando acabar o campeonato vou tratar disso'. Fui ao doutor Filipe Macedo e ele disse-me que havia uma necessidade urgente de fazer a operação. Estávamos no fim de maio e havia o problema das transferências e quis deixar tudo orientado. Havia uma folga à terceira jornada, o FC Porto jogava em Olhão e depois havia uma paragem de 15 dias. Foi aí que fui operado e correu bem, felizmente. Se não tivesse corrido, não estávamos aqui a conversar, porque ainda não há ligações para o outro mundo [risos]. "

Sentiu medo? "Não, porque me foi posto como um facto irreversível. Lembro-me que estive na véspera a trabalhar até às sete horas da tarde e só aí é que disse às pessoas que estavam comigo que no dia seguinte não ia trabalhar, porque ia ser operado. Encarei com toda a naturalidade."

Recuperação: "Ao fim de oito dias já estava em casa e ao fim de um mês já estava no Dragão. Mas estava sempre em contacto, até mesmo no hospital, as pessoas iam lá tratar das coisas e eu nunca me desliguei. Só em dois dias em que estive a dormir, só via estrelas [risos], já julgava que estava no céu, mas não estava."

Dia da cirurgia é dia de comemoração: "Este [último] ano não pôde ser por causa da pandemia, mas todos os anos, nesse dia, no princípio de setembro, junto os médicos que me operaram, o cardiologista Filipe Macedo, o doutor Paulo Pinho, cirurgião, a anestesista, a doutora Raquel, e fazemos um jantar comemorativo do meu aniversário. Afinal de contas, ressuscitei. Dois dias antes houve um jantar do Vítor Hugo, um grande hoquista, com médicos. Um deles chama-me ao lado e diz-me assim, 'olhe, eu sei que segunda-feira você vai ser operado, mas não tenha problemas, o Paulo Pinho é do melhor que há. Se fosse à aorta, é que você estava tramado com f'. Eu fiquei pensar...mas eu ouvi falar na aorta...peguei no telefone e liguei ao doutor Puga. 'Doutor, a que é que eu vou ser operado?', à aorta disse-me ele, 'mas um colega seu acaba de me dizer...', 'ah ele é burro, 'se é burro não sei, sei que é médico, você não me anda a enganar?', 'não', 'pronto, seja o que Deus quiser'. Não me assustei, mas não foi muito animador quando ouvi isso [risos]"