Pinto da Costa e um almoço inesperado: "Tive de ir a casa vestir um fato a correr..."

Pinto da Costa e um almoço inesperado: "Tive de ir a casa vestir um fato a correr..."

Presidente do FC Porto recordou os primeiros 10 anos na liderança do clube em nova edição do programa "Ironias do Destino", do Porto Canal.

16 títulos conquistados em dez anos de presidência: "Importante é que o FC Porto ganhe títulos, seja com quem for. Recordo-me que dez anos parecia uma coisa impossível. A primeira vez que votei no FC Porto foi no Luís Ferreira Alves e os presidentes duravam dois ou três anos. Dez anos parecia impossível. Como tinha sido possível ultrapassar todas as dificuldades. Um dia, uns amigos convidaram-me para almoçar, infelizmente já todos falecidos - o professor Vieira de Carvalho, o Adriano Pinto e o Pôncio Monteiro - para festejar os dez anos, um almoço íntimo na Exponor. Achei estranho não ser na Maia porque o Vieira de Carvalho era o presidente da câmara. Meti-me no carro e ia sem gravata, na desportiva, e quando dei a curva vi um grande painel a anunciar o almoço comemorativo. Aquilo estava cheio de carros. Telefonei ao Pôncio a perguntar que brincadeira era aquela, que estava vestido de forma desportiva e não podia. Tive de ir a casa vestir um fato a correr, porque não contava com aquilo. Quando cheguei fiquei impressionado porque estavam mais de mil pessoas, alguns ilustres, como o General Ramalho Eanes, o professor Barbosa de Melo, que foi presidente da Assembleia da República, a Leonor Beleza, Arlindo Cunha... Fiquei admirado e enrascado."

Homenagens ao longo dos anos: "Às vezes dizia a brincar que - e felizmente agora não acontece - quando estava em ambientes em que nos insultavam, sentia-me mais à vontade. Não gosto de elogios, sinto que estão a fazer o meu elogio fúnebre. Disso sempre 'ainda não morri, guardem isso'. Não gosto de ser o centro das atenções. Gosto de confraternizar descontraidamente, não no sentido de homenagem. Na altura, nesse almoço, ofereceram-me um lindo dragão que tenho no meu museu."

Pinto da Costa é um homem de fé? "Sou, naturalmente. Sou católico e tenho fé. Gosto muito deste sítio [Sé do Porto]. Tive aqui como bispo do Porto um amigo sincero [D. António Francisco dos Santos]. Entreguei-lhe o Dragão de Ouro e ele viveu isso com muita emoção e guardo dele cartas de apoio e incitamento que não têm preço. Acho que essa fé me tem ajudado em muitas coisas. Mas só fé religiosa, quanto ao resto tenho fé no trabalho e nas pessoas que trabalham comigo, porque sei que são leais e competentes. Costumo dizer aos meus colaboradores que a diferença entre o possível e o impossível é que o impossível demora mais algum tempo a fazer-se. Quando se quer uma coisa que não seja utópica, o impossível torna-se possível. Demora, mas consegue-se. É preciso ter um objetivo e uma equipa que acredite. Só nas maratonas é que cada um corre por si, mas nesta vida que é uma maratona, quem corre sozinho não consegue fazer nada."