Pinto da Costa comenta fair-play financeiro no FC Porto: "É demagogia"

Pinto da Costa comenta fair-play financeiro no FC Porto: "É demagogia"
André Morais

Tópicos

Pinto da Costa, presidente do FC Porto e candidato à presidência nas eleições de 6 e 7 de junho, abordou o fair-play financeiro de que o clube é alvo, em entrevista ao Porto Canal.

Há 4 anos houve alguma contestação e votos em branco... Duplicou o passivo, a situação desportiva piorou. Foi um falhanço este mandato?

"Não. Uma das mais recentes e piores explicações é o que aconteceu com este vírus maldito. Antes a situação já não era boa. Ainda ontem vi (não vi, mas li extratos) que um presidente de um clube foi impossibilitado de vender dois jogadores por 100 mil cada um. Nós também tínhamos, não era assim, mas estávamos mais perto disso do que longe da metade..."

Mas antes do vírus, já estava mal, tinha fair-play financeiro...

"Já, mas se tivesse faturados 147 milhões de euros que estavam acordados não estávamos a falar de problemas financeiros. Benfica tinha 200 milhões, nós 147. Posso contrair dívidas, porque sei que estou seguro. Se aparece um vírus que nos afeta todos, temos de estar conscientes e encontrar soluções."

Fair-play financeiro:

"O que dói não é se está em fair-play ou deixa de estar. É demagogia. O que os adeptos querem é garantia de que a bola entre, ganhe títulos e mantenha em seu poder os ativos e ações da SAD do FC Porto. Não pode gastar mais do que tem, mas pode sabendo que amanhã vai ter algo que vale tanto. Não pode deixar de fazer um investimento sabendo que vem um vírus. Negócios estavam feitos antes do fim do ano. Só faltava concretizar. Vírus afetou e não só em Portugal. Tudo ficou em suspenso."

É possível não depender disso e entrar na Champions?

"É possível, é não entrar, o clube tem de moldar despesas às receitas. Nós incluíamos, até agora, receitas de venda de jogadores. Mas ninguém pensou que vinha um vírus. O senhor sabia? Era o único que sabia? Não me diga que o senhor é chinês."

Clubes dependem de venda de jogadores?

"Não. Dependem de tudo somado. Mas se vem o vírus e deixa de ter merchandising, receita de museu, bilhética, cativos.. se calhar só o senhor é capaz de fazer projeções que se calhar vinha o vírus da China. Vírus foi para todos e os clubes estão todos tão bem que tiveram de cancelar os negócios que tinham connosco. Para já essas vendas estão suspensas, mas por esses valores tenho muitas dúvidas que voltem."