Pinto da Costa, Antas rebaixada e uma taça especial: "Disse para irem entregar ao balneário"

Pinto da Costa, Antas rebaixada e uma taça especial: "Disse para irem entregar ao balneário"

No quinto episódio do programa "Ironias do destino", Pinto da Costa recordou o segundo campeonato nacional conquistado, em 1986, bem como o primeiro título europeu do hóquei em patins, no mesmo ano, sem esquecer o rebaixamento do Estádio das Antas.

Segundo campeonato conquistado e festa na Ribeira: "O segundo campeonato foi muito festejado porque foi muito renhido, só no penúltimo jogo é que atingimos o primeiro lugar. Jogámos em Setúbal e o Sporting foi à Luz, ganhámos 1-0 e o Benfica perdeu 2-1 e atrasou-se. No último jogo bastava ganhar ao Covilhã num estádio repleto, com gente na pista de atletismo e tudo. Vencemos por 4-2 e foi uma festa em toda a cidade e aqui na Ribeira, onde sempre que o FC Porto vence há muito fervor. É gente genuína com uma paixão que não esconde e que me sensibiliza muito."

Primeiro campeonato europeu ganho pelo hóquei: "Iniciei a minha atividade como dirigente da secção de patinagem e isso deixa as suas marcas, foram anos de excelente convívio. Vencemos o campeonato metropolitano, mas nunca tínhamos ganho o nacional. No meu programa estava tentar vencer um campeonato nacional e uma prova europeia. Felizmente, ganhámos dez campeonatos seguidos, fruto de um trabalho fantástico de um dirigente, Ilídio Pinto. E nesse ano (1986) vencemos, em Novara por 7-5 e fomos campeões europeus. Fui com a equipa e ao intervalo estávamos a perder 1-4 ou 1-5 e os jogadores estavam todos de cabeça baixa, como se já tivessem perdido. Entrei no balneário e disse 'vamos ganhar, isto ainda não acabou'. Houve ali um grito dos atletas todos e senti que íamos dar a volta. Num pavilhão completamente hostil, fomos reduzindo, ao sétimo golo o jogo já não podia continuar tantas eram as coisas que atiravam lá para dentro. O árbitro deu o jogo por terminado e ganhámos. Quando íamos para receber a taça voltaram a atirar tanta coisa que era impossível receber. Disse para irem entregar ao balneário, que não saímos daqui sem a taça. No fundo, recebemos no sítio onde vencemos a prova. Essa taça enche-me de orgulho porque mostra que não há impossíveis."

Rebaixamento do Estádio das Antas: "Começou e acabou em 1986. Tinha prometido isso, mas não foi porque me deu na cabeça. Tentei saber se era possível, o meu dirigente Óscar Cruz fez um estudo e disse para ir para a frente. Muitos diziam que isto era um rio, outros um cemitério, mas tanto era possível fazer que se fez. Não era um capricho. A situação económica do clube na altura era má, não havia hipóteses de aumentar o preço dos bilhetes, pelo contrário. A maneira que de compensar isso foi aumentar a lotação. E a brincar, a brincar, aumentámos em 20 mil lugares. Fazem-se estádios atualmente com 15 mil lugares... Houve uma pessoa que teve um papel importantíssimo, o engenheiro Valente Oliveira, que na altura era ministro. Quando lhe fui apresentar o plano ele disse que ia interceder para que recebêssemos o subsídio a que tínhamos direito e que tinha sido vetado por responsáveis intermédios. E foi deferido. Disse-lhe, senhor ministro é o senhor que vai presidir à inauguração do rebaixamento. E assim foi. A placa que estava no estádio tem o nome dele. Na altura, recebi algumas indicações que era melhor chamar o Primeiro-Ministro, que era o Cavaco Silva, mas disse que não. 'Quem vai presidir é o engenheiro Valente Oliveira, se o Primeiro-Ministro quiser assistir, pode assistir"."