O nevão e a frase de Pinto da Costa que convenceu o árbitro a avançar com a Intercontinental

O nevão e a frase de Pinto da Costa que convenceu o árbitro a avançar com a Intercontinental

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Ana Luísa Magalhães

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Pinto da Costa recordou o histórico ano de 1987 no mais recente episódio da série "Ironias do Destino", no Porto Canal

A série "Ironias do Destino" chegou a 1987, um dos anos mais especiais da história do FC Porto, que pela primeira vez se sagrou campeão europeu e campeão do mundo. Já muito se disse e escreveu sobre o quão surpreendente foi a conquista da Taça dos Campeões Europeus em Viena, frente ao Bayern de Munique, mas há pormenores curiosos a propósito do manto branco de Tóquio, que acolheu a Taça Intercontinental. Pinto da Costa contou-os esta segunda-feira no Porto Canal:

Conquista em Viena: "Recordo tudo ao mais pequeno pormenor, da preparação à conquista, a emoção lá vivida, a nossa chegada ao Porto já de madrugada. Foi uma vitória que entusiasmou toda a gente e pôs o mundo do futebol de boca aberta, porque o Bayern era e é uma das grandes potências do futebol europeu. Conseguimos vencer contra todas as expectativas."

Três após a final de Basileia: "Nessa altura senti que estava atingido um objetivo que, não sendo conhecido por muitos, era um objetivo que tinha, que o FC Porto vencesse uma prova europeia. Senti que não tinha mais nada para fazer e cheguei a pensar em terminar a presidência."

Intercontinental como prova dos nove: "Depois de Viena, várias coisas aconteceram, como a saída de Futre, que tinha sido fundamental, a saída de Artur Jorge e a entrada do Tomislav Ivic. Tínhamos uma expectativa muito grande e curiosidade em ver como a equipa ia reagir às alterações, era a prova dos nove."

O nevão: "Chegámos lá com bom tempo e no dia do jogo estava tudo coberto de neve. A primeira ideia era a de que não haveria condições, mas eu estava com uma convicção tremenda de que íamos ganhar. Não sei se era por dia 13, um dia que gosto muito...Na véspera tínhamos tido um jantar muito agradável com os dirigentes do Peñarol e a primeira coisa que o presidente deles me disse foi 'presidente, não há jogo'. Não há jogo? O árbitro é que tem de decidir. 'Não, não, não há jogo, não há condições, os meus jogadores não podem jogar'. Senti que eles estavam apavorados. Falei com alguns jogadores, tomei-lhes pulso e senti que não estavam com medo da neve, queriam jogar."

Impasse em tons de branco: "O regulamento dizia que os dois clubes tinham de estar de acordo, senão era o árbitro que decidia. Eles pressionaram muito. Perguntei a Ivic se íamos jogar e ele disse que eu decidia. Por mim está decidido porque vamos ganhar. Quando chegou a altura, o presidente do Peñarol voltou a dizer que não queria jogar. O árbitro era austríaco e tinha de decidir."

O pormenor que convenceu o árbitro: "Ele estava mesmo indeciso. Eu sabia que ele terminava a carreira no dia 31 desse mês [dezembro] e disse-lhe 'se o senhor não fizer jogo, vai acabar a carreira porque o jogo fica para março. Vai acabar a carreira sem um jogo destes.... Comece o jogo e, se não houver condições para continuar, fica na história que você apitou a Intercontinental'. Ele compreendeu. Era franzino e aguentou perfeitamente o jogo, que até teve prolongamento. No final disse-me que eu tinha razão, era o jogo mais importante da sua carreira."