Luis Díaz, um golo à Maradona e outras memórias: "Espreitava os treinos por um buraquito na rede"

Luis Díaz, um golo à Maradona e outras memórias: "Espreitava os treinos por um buraquito na rede"

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Bruno Filipe Monteiro

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Pai recorda a infância do extremo do FC Porto e os sacrifícios feitos para o ver cumprir o sonho de ser futebolista

Sem futebol devido à pandemia de Covid-19, os colombianos vão matando o "bichinho" pelo jogo com os campeonatos europeus e o momento de Luis Díaz tem concentrado uma boa parte da atenção, ao ponto de a Gol Caracol ter feito uma viagem pelas raízes do extremo do FC Porto. O pai, Luis Manuel Díaz, serviu de fonte para uma história onde "Lucho" é recordado como um miúdo "muito disciplinado", com uma obsessão descomunal pelo futebol.

"Estava sempre a jogar em frente à casa da avó", garantiu o patriarca da família, que tem nos irmãos do portista mais dois futebolistas. Roger alinha nos Sub-20 do Júnior e Jesús é o goleador do Barranquilla FC, tendo já sido chamado à seleção colombiana de Sub-15.

A ascensão de Luís Díaz no futebol não foi fácil, devido às dificuldades da família, natural de La Guajira, mas as recordações do progenitor são as melhores. A maior até mete um golo ao nível de um dos maiores atros da história do futebol. "Foi num jogo da seleção de La Guajira num torneio que se disputou em Barranquilla e [Luis Díaz] onde terminou como o melhor jogador. A final jogou-se no Metropolitano e ele fez um golaço como o Maradona no Mundial de 1986 que deixou todos atónitos", descreveu.

Foi a partir daí, segundo Luis Manuel Díaz, que o filho entrou no radar dos principais clubes da região. No entanto, aconselhou-o sempre a nunca perder a humildade e a "manter os pés na terra". "Se lutas por uma coisa e és disciplinado, o êxito chegará. Foi assim com o Luís. Ele sempre sonhou com as coisas que lhe aconteceram e sabe que ainda tem muito por melhorar, porque é um futebolista em crescimento", lembrou.

Agora que o "Lucho" chegou ao FC Porto, o pai percebe que valeu a pena os dias em que esperou ansiosamente por uma avaliação positiva dos treinadores do Júnior. "Foram quatro meses", recordou. "Ele estava a fazer testes e eu não podia entrar nos campos. Então, espreitava os treinos por um buraquito na rede. Os treinadores já estavam cansados de mim, porque no fim perguntava-lhes sempre se ele tinha ficado. Foi um tempo muito desgastante. Mas quando por fim o aceitaram, o sonho de o ver triunfar ia-se alimentando cada vez mais", garantiu.

A estreia no futebol profissional surgiria alguns anos mais tardes e, mais uma vez, a família Díaz teve de fazer um esforço suplementar para ver Luís a jogar. "Foi um sinal de que o esforço valeu a pena. Nada foi fácil. Nós não tínhamos os recursos para o mandar para longe de casa. Vendemos cosas, pedimos emprestado e recebemos ajuda de amigos", contou Luís Manuel, que agora vai desfrutando do talento do filho pela televisão.