O positivo e o negativo de um Schalke à mercê do FC Porto

O positivo e o negativo de um Schalke à mercê do FC Porto
André Morais, enviado especial à Alemanha

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Desfeita (2-1) em Moenchengladbach foi a terceira em três jogos e hoje o rival portista pode cair para zona de despromoção. Faltam artistas.

O FC Porto não pode viajar descansado à Alemanha, mas a verdade é que o Schalke 04 da atualidade está uns bons furos abaixo do nível que lhe permitiu ser vice-campeão. Os dragões até já sabem como é defrontar um segundo classificado da Bundesliga (fizeram-no há um ano), mas o Leipzig de então era muito mais intimidador do que o rival que se segue. O Schalke tem um défice grande de criatividade e abusa do futebol direto para um trio de avançados que troca muito de posição, mas num espaço reduzido a 20 metros, sem mobilidade exterior ou envolvência com os companheiros. O Borússia Moenchengladbach vulgarizou completamente o adversário dos dragões, que só marcou a terminar e num remate de longe. Antes já podia ter sofrido mais dois ou três tentos, mas a pontaria estava mais virada para os ferros.

O FC Porto não terá tarefa simplificada, mas não deve esperar um rolo compressor e tirará, seguramente, vários apontamentos sobre pontos a explorar. As bolas paradas e o trio de defesas centrais serão alguns deles, especialmente pela falta de velocidade. Mas também os corredores laterais, quase sempre vazios. O Moenchengladbach começou por aí a construir os dois golos, um logo a abrir (2") e o segundo aos 76".

O Schalke só reduziu sobre o minuto 90, numa jogada individual de Embolo, que entrou e acabou por ser o único agitador da equipa. Mas pouco... Com esta derrota, os azuis de Gelsenkirchen contam já três noutras tantas jornadas.

POSITIVO

Mobilidade do trio de pontas de lança

O Schalke 04 apresentou-se (e costuma ser assim) com três pontas de lança. Dois descaem para as alas, mas todos pisam terrenos centrais e trocam de posição com frequência.

O pêndulo Rudy e a surpresa Embolo

Numa equipa que andou muitas vezes à nora, destaca-se Rudy, que assegura as compensações defensivas bem como as saídas para o ataque. Embolo saltou do banco para agitar: é rápido e dispara bem.

NEGATIVO

Centrais são grandes mas não mandam

Apesar de ter centrais altos e fortes, o Schalke não manda na sua área. Sané, Naldo e Nastasic têm pouca mobilidade e não são agressivos.

Marcação à zona não funcionou

A equipa marca quase sempre à zona nos pontapés de canto ou livres indiretos. Mas chega-se muito atrás. Faltou coordenação também

Falta de criatividade individual

Tudo no Schalke acontece de forma mecânica. Sinal de trabalho, mas também da falta de verdadeiros desequilibradores, especialmente nas altas. Uth e Di Santo carecem de velocidade e habilidade no 1x1 de fora para dentro.

Bentaleb atrasa tudo

O melhor tecnicamente acaba por prejudicar mais do que ajudar. O argelino toca na bola como poucos, mas demora a soltar e nem sempre decide bem.