João Pedro e Alex Telles nasceram no mesmo cérebro

João Pedro e Alex Telles nasceram no mesmo cérebro
Rodrigo Cortez

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Chama-se Rui Costa, é atualmente diretor desportivo da Chapecoense e foi ele o responsável pela ascensão de Alex Telles, que descobriu num clube do quarto escalão brasileiro.

Mais recentemente, acreditou nas potencialidades de João Pedro... e aí está o novo futebolista do FC Porto. Esta é a primeira parte de uma conversa que, desde o Brasil, manteve com O JOGO.

Pelo que sei, foi o Rui Costa a "descobrir" o João Pedro, digamos assim. É verdade?

Quando eu cheguei à Chapecoense, tivemos de montar uma equipa do zero, porque só tínhamos três sobreviventes daquele acidente de avião. Na altura tínhamos referenciado cerca de 50 atletas e a ideia era ter um perfil de atletas jovens, mas que de alguma forma não estavam a ser aproveitados nos seus clubes. Eu seguia o João Pedro há bastante tempo, desde as seleções de formação, e entrei em contacto com o Palmeiras no sentido de propor uma parceria que eu imaginava que poderia ser de sucesso. A minha ideia era a de aproveitar o João como protagonista, já imaginando que, com o sucesso dele aqui, o Palmeiras poderia valorizar o seu ativo. Prontamente fui atendido pelo Palmeiras, que foi muito proativo nessa questão. E o João veio para a Chapecoense, começando a jogar como lateral-direito.

Conhecia-o desde o Mundial de Sub-20?

Sim, eu trabalhei muitos anos no Grémio e sempre monitorizei jogadores jovens. O Alex Telles, por exemplo, fui eu que referenciei no Grémio, segundo o mesmo modelo. Se bem que o Alex Telles foi na altura uma aposta muito minha, porque ele estava num clube da Série D (quarto escalão), que era o Juventude de Caxias do Sul.

Você é que apostou no Alex Telles?

Sim, eu é que o levei para o Grémio. Depois ele foi para o exterior e é hoje um jogador importantíssimo no FC Porto.

Como o analisa?

É um excelente profissional, com muita qualidade técnica. Já o João Pedro estava num outro patamar, porque já era um jogador conhecido, da formação de um grande clube como o Palmeiras e da Seleção. Ele começou como lateral-direito, mas como tem tanta força e tanta técnica, chegámos a utilizá-lo como volante, a sair a jogar, com liberdade para jogar. E aí descobrimos uma coisa que pouca gente sabia: que ele, mais centralizado, como um homem da zona central, pode ser também extremamente útil.

Faz as duas posições?

Isso. Joga na direita, mas também no meio. Eu gosto dele mais como lateral, acho que na Europa vai dar-se muito bem, pela força e pela capacidade técnica. Em Portugal, os laterais têm muita capacidade técnica e acho que um brasileiro que saiba jogar, com força - o que é fundamental na Europa - intensidade e qualidade técnica, pode ser uma alternativa muito interessante para um clube de nível alto. Eu gosto muito dele como lateral, mas também pode jogar mais ao meio. Na Chapecoense ele era titularíssimo, depois teve uma lesão, mas recuperou e na última época connosco foi muito importante no apuramento para a Libertadores. No ano seguinte queríamos que ele ficasse, mas estava muito valorizado, com um salário muito alto e acabou por sair para o Bahia. Agora está a ir para a Europa, que era o que eu já imaginava antes.