Francisco J. Marques sobre Ricardo Costa: "Posso contar histórias de ir ver jogos à Luz de cachecol"

Francisco J. Marques sobre Ricardo Costa: "Posso contar histórias de ir ver jogos à Luz de cachecol"

Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, criticou o silêncio do antigo presidente da Comissão Disciplinar da Liga.

O Benfica distribuía bilhetes pelo Governo, Finanças e tribunais, avançou a revista Sábado, que toma como ponto de partida alguns emails tornados públicos. O serviço de Finanças de Lisboa terá pedido cinco ingressos, assim como o funcionário judicial Júlio Loureiro, que, alegadamente, pediu um bilhete. Rita Abreu Lima, chefe de gabinete do ex-ministro da Administração Interna Miguel Macedo também terá pedido bilhetes. Ainda de acordo com os emails supracitados, o juiz Nuno Salpico, que chegou a julgar um processo cível do emblema encarnado, terá pedido um patrocínio para um filme sobre D. Nuno Álvares Pereira.

"É uma face do Polvo. O Benfica exerce o seu magistério pela forma como concede essas benesses", começou por afirmar Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, no programa Universo Porto Bancada, do Porto Canal. O diretor portista, à imagem do que fez na passada, centrou-se depois em Ricardo Costa, antigo presidente da Comissão Disciplinar da Liga. "Há uma semana fizemos uma série de divulgações sobre o ex-presidente do Conselho de Disciplina da Liga, Ricardo Costa, e era muito grave para ele. Desafiámo-lo a fazer um esclarecimento público e uma semana depois nem uma palavra. A sabedoria popular diz que quem cala consente. Tudo o que dissemos era verdade. Desde que este escândalo começou todos os visados diretamente remeteram-se ao silêncio com a exceção de Luís Filipe Vieira que fez comentários, mas nada de sunbstantivo. Paulo Gonçalves, Adão Mendes, Ferreira Nunes, Nuno Cabral, um funcionário judicial... e nem uma palavra. Isto mostra o quanto comprometidas estão estas pessoas neste escândalo", afirmou

"O caso de Ricardo Costa é particularmente importante porque falamos de alguém que teve poder de decidir as matérias mais relevantes de cariz disciplinar e que as decidiu com interesses e com o lado de adepto do Benfica. Até posso contar histórias de ir ver jogos à Luz de cachecol numa altura em que não podia fazê-lo. A forma como a generalidade das pessoas estão caladas é muito preocupante, seja por vassalagem ou medo", acrescentou Francisco J. Marques.

O diretor portista insistiu na tecla da mudança no futebol português: "Imporante é ter consciência de que há um tempo que tem de terminar e outro que tem de começar: de tudo ser transparente no futebol português. Não pode haver presidentes do Conselho de Disciplina que estejam ao serviço de um clube, ou presidentes da secção de classificações de árbitros ao serviço de um clube, ou delegados da Liga ao serviço de um clube. Cabe às autoridades investigar esta situação dos bilhetes, há entidades públicas com comportamentos inaceitáveis, assim como é inaceitável o silêncio de outras", concluiu.