Premium Fernando Gomes: uma Bota de Ouro com orgulho e memória

Fernando Gomes: uma Bota de Ouro com orgulho e memória

Fernando Gomes alcançou pela primeira vez o topo da Europa em 1982/83, com 36 golos. No dia em que se assinalou a efeméride, o antigo jogador fez uma visita ao passado em conversa com O JOGO

Completaram-se ontem 35 anos desde que Fernando Gomes recebeu a primeira Bota de Ouro para o FC Porto. Em exclusivo para O JOGO, o antigo avançado fez uma viagem ao passado, mesmo tendo sido apanhado de surpresa. "Se fizer contas ainda chego lá, mas nem me lembrava disso", deixou escapar, numa primeira abordagem. As contas da história não falham e o Museu do clube destacou o feito de Gomes, com fotografias alusivas à efeméride publicadas nas redes sociais. "Em termos individuais e até àquele momento, foi a época em que marquei mais golos no campeonato e em que me consagrei pela primeira vez melhor marcador da Europa. Foi um prémio igualmente importante para o FC Porto, porque passou a ter na sua história um avançado que atingiu essa marca", sublinhou. Ian Rush (Liverpool), mas também Van Basten (Ajax), eram concorrentes de enorme valor na cena europeia, por essa altura, mas Fernando Gomes ainda viria a bisar de dragão ao peito. "Apesar da enorme satisfação e alegria, nunca me poderia sentir totalmente realizado, uma vez que o FC Porto não venceu o campeonato nesse ano [1982/83]. Mais tarde, em 1984/85, foi diferente, pois fui melhor marcador e o FC Porto sagrou-se campeão", explicou aquele que a partir dali passaria a ser, na linguagem popular dos adeptos, o "bibota".

Entre os golos decisivos que recorda, o goleador destacou os que fez nos duelos com o Sporting. "Houve muitos golos decisivos e que contribuíram para vitórias do FC Porto, como por exemplo contra o Sporting, quer em Alvalade quer nas Antas, mas infelizmente não chegaram para sermos campeões e isso é sempre o mais importante", insistiu. Com a introdução do coeficiente que veio beneficiar os campeonatos europeus mais competitivos, conseguir alcançar uma Bota de Ouro passou a obrigar a marcar mais golos, mas já nas décadas de 80/90 o desafio não era pequeno. "Os tempos são outros, mas marcar 36/39 golos em 30 jogos só está ao alcance de alguns", apontou, com orgulho.

Depois de Fernando Gomes só Jardel (ver quadro) conseguiu reeditar o feito pelos azuis e brancos, primeiro, e pelo Sporting, depois. Mais tarde, só com a era de Cristiano Ronaldo é que Portugal voltou a ver um português ou algum jogador do nosso campeonato a alcançar o topo da tabela. "Ser portista, jogar pelo FC Porto e estar numa galeria em que está o Cristiano Ronaldo, por exemplo, é naturalmente motivo de orgulho", reconheceu Gomes, que espera um dia voltar a ver um jogador dos azuis e brancos receber o mesmo prémio. "O FC Porto continua a ter grandes avançados, o que me deixa bastante feliz. Mas não podia deixar de dar uma palavra de reconhecimento a todos os companheiros que jogaram comigo no FC Porto. Sem eles nunca conseguiria marcar tanto", justificou.