Fonseca: despedido pela primeira vez

Fonseca: despedido pela primeira vez

Ao cabo de nove meses, o treinador que subiu a pulso desde os escalões secundários até ao Dragão terminou a ligação ao FC Porto

Paulo Fonseca, que esta quarta-feira abandonou o comando técnico dos dragões, chegou em junho de 2013 ao FC Porto após levar o Paços de Ferreira ao play-off da I Liga dos Campeões.

A missão de Paulo Fonseca - de 41 anos, nascido em Nampula, Moçambique, com uma ascensão meteórica como treinador (há cinco anos treinava na III Divisão) - revelou-se, no entanto, difícil desde o primeiro dia em que sucedeu a Vítor Pereira nos tricampeões nacionais.

O FC Porto começou a época com a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira, com um triunfo sobre o Vitória de Guimarães, por 3-0, mas a demora em consolidar um fio de jogo, a eliminação precoce da Liga dos Campeões e a inconsistência no campeonato levaram à rutura hoje oficializada e há muito aguardada pelos adeptos portistas.

O antigo defesa central iniciou a carreira de treinador nos escalões de formação do Estrela da Amadora, em 2005/06, uma época depois de ter posto um ponto final na de jogador, na qual vestiu as camisolas de Barreirense, Leça, Belenenses, Marítimo, Vitória de Guimarães e do emblema da Amadora.

Duas épocas depois, Paulo Fonseca mudou-se da Amadora para Sintra, onde orientou o 1º de Dezembro e assegurou a permanência na III Divisão. No entanto, o treinador acabou por subir à II Divisão, para treinar o Odivelas, conseguindo o quinto lugar na Série D.

Paulo Fonseca permaneceu neste escalão, mas cruzou o rio Tejo e tornou-se timoneiro do Pinhalnovense em 2009/10, levando o clube aos quartos de final da Taça de Portugal (caiu diante a Naval 1º de Maio) e ao sétimo lugar da Zona Sul.

Na época seguinte, manteve-se no Pinhal Novo e voltou a brilhar na Taça de Portugal: cedeu apenas frente ao FC Porto (2-0), novamente nos quartos de final, antes de concluir o campeonato em quarto lugar.

Cumprida a mais longa experiência até agora nos escalões seniores, Paulo Fonseca transitou para os escalões profissionais ao serviço do Aves (II Liga). Chegou novamente aos quartos de final da Taça de Portugal, perdendo com a Académica, que viria a conquistar o troféu, e ficou à beira da subida à I Liga, com o terceiro lugar, a dois do promovido Moreirense.

No início de 2012/13, sucedeu no Paços de Ferreira ao veterano Henrique Calisto e empreendeu a melhor época de sempre do clube. Além de destronar o Braga do terceiro lugar, chegou às meias-finais da Taça de Portugal, em que foi eliminado pelo Benfica, por 3-1 no conjunto das duas mãos, falhando apenas a segunda fase da Taça da Liga.

A época foi de tal forma bem sucedida que o Paços de Ferreira só perdeu com os grandes, somando seis derrotas em 41 encontros, três dos quais frente ao Benfica (1-2 e 3-0 para a I Liga e 0-2 na meia-final da Taça de Portugal), duas diante do FC Porto (2-0 em ambos os encontros para o campeonato) e uma com o Sporting (1-0 na Taça da Liga).

Depois de ter sido contratado pelo FC Porto em 1995/96, o defesa, que cresceu no Barreiro, acabou por nunca vestir a camisola azul e branca, uma vez que foi cedido por empréstimo ao Leça e, depois, serviu de moeda de troca na contratação de Capucho ao Vitória de Guimarães.

Paulo Fonseca deixou o FC Porto no terceiro lugar da I Liga, com 43 pontos, a nove do líder Benfica e a quatro do Sporting, com 13 vitórias, quatro empates e quatro derrotas nos 21 jogos realizados (39-16, em golos).

Para a história negativa de Paulo Fonseca no comando técnico dos dragões ficou ainda a desastrosa fase de grupos da Liga dos Campeões, em que o FC Porto foi afastado sem ter conseguido vencer, pela primeira vez, qualquer jogo em casa.

Caído para a Liga Europa, o estigma de não vencer em casa continuou com o empate frente ao Eintracht Frankfurt, a 2-2, amenizado pelo empate a 3-3 na segunda mão, na Alemanha, que permitiu aos dragões avançar para os oitavos de final.