Pinto da Costa: as contas, o fair play financeiro e o custo dos jogos à porta fechada

Pinto da Costa: as contas, o fair play financeiro e o custo dos jogos à porta fechada

Presidente do FC Porto concedeu uma entrevista à TVI, na qual abordou o futuro do clube, o estado financeiro e as consequências dos jogos à porta fechada.

Obra feita: "Fizeste um estádio, o museu, quem fez foi o FC Porto, tive a oportunidade e honra de liderar o clube nessa altura. Não estou preocupado com o que falta fazer. Tenho uma coisa que gostava de fazer, como a Cidade Desportiva que temos em pensamento e em ação e gostava, no dia em que sair do FC Porto, que esteja sólido e unido. É essa a minha preocupação. Em termos pessoais não estou à procura de fazer isto ou aquilo, porque o que tem sido feito é por todos"

Último mandato? "Nunca digas nunca. Para mim mesmo e publicamente já várias vezes disse que era o último e até já cheguei a dizer que não me recandidatava e, depois, por circunstâncias diversas, como a construção do estádio, não saí. Nem vou dizer que é o último, nem que não é".

O que o pode levar a sair: "Chegar ao fim do mandato e ver que não sou necessário..."

Devolver as boas contas ao clube: "Isso é evidente e não tenho dúvida de que o vamos alcançar. Quando se fala em falência técnica, ela existe porque somos obrigados a apresentar as contas segundo certos parâmetros. Se não tivéssemos essa obrigação... O nosso plantel está avaliado em 76 milhões de euros e neste último mercado fizemos 126 milhões. Então como é possível? Vendemos dois jogadores, mas colmatámos com outros. É preciso equilíbrio".

Certeza: "Empréstimo obrigacionista vai ser devolvido antes do final do ano".

Finanças: "Para nós não chega nada. Só nos sugam. Ficámos fora da Liga dos Campeões, este ano aconteceu com o nosso rival, curiosamente com o clube que foi eliminado por quem nos eliminou a nós. Veja a ironia. Não ir à Champions é uma exceção para nós, a seguir ao Real Madrid e ao Barcelona somos quem tem mais presenças. Foi um acidente. Nas contas que vamos apresentar, seria normal que estivessem as vendas da época passada, época que deveria ter acabado em junho. Se não fosse a pandemia, as vendas de 126 tinham entrado nas contas que vamos apresenta e bastava isso para equilibrar as contas. A época foi fechada mais tarde e o que contabilizámos vai entrar nas próximas contas".

Fair play financeiro: "Obriga a mais atenção, mas estou tranquilo e convencido de que sairemos brevemente, esta época ainda. Bastava que a época de transferências tivesse sido normal, o que vendemos dava para cobrir. Sinto-me responsável por tudo o que se passa no FC Porto, mas não estou preocupado".

Equilíbrio: "É preciso um equilíbrio entre compras e vendas e temos de ter opções. O problema é mais profundo do que as contas de hoje e amanhã. Quando se é afastado da Liga dos Campeões, ou se aguenta o prejuízo ou se vende um ativo, como o Benfica fez. E não estou a criticar. No ano passado, entendemos não vender, aguentar o prejuízo para sermos campeões. Conseguimos a dobradinha, valorizámos o plantel e fizemos as transferências. Hoje no futebol, não digo bem ou mal, quando se negoceia um contrato com um jogador a primeira palavra falada é "net", valores líquidos. É a primeira palavra que os jogadores aprendem. Onde está o mal para os portugueses? FC Porto se pagar 1 milhão de euros a um jogador, tem de pagar de impostos 1,4 milhões".

Jogos à porta fechada: "O custo de não termos receitas é de 29 milhões de euros".