Deco: "Eu tinha várias propostas para sair, outros também, mas a convicção de Pinto da Costa..."

Deco: "Eu tinha várias propostas para sair, outros também, mas a convicção de Pinto da Costa..."
Bruno Filipe Monteiro

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Declarações de Deco, antigo jogador do FC Porto, sobre Pinto da Costa, que atinge a marca dos 40 anos na presidência do FC Porto.

Primeiro contacto: "Acho que foi em Vila Nova de Cerveira que conheci o presidente e que o vi pela primeira vez, porque, na altura, o Jorge Mendes disse-me que ia para o FC Porto. Estávamos naquela indecisão se seria na janela que havia em março ou a meio do ano. A minha ansiedade era grande, porque queria vir logo, e lembro-me que o Jorge me ligou para jantar e foi aí que acabei por conhecer o presidente."

Liderança: "Nessa altura, já não era normal um presidente estar num clube tantos anos e sabia da liderança dele, da forma como tinha conduzido o clube. Quando chego, o FC Porto ia no quinto campeonato seguido e óbvio que era uma referência. Por isso, tinha também alguma ansiedade por conhecer uma figura como ele, mas depois a relação foi de respeito e amizade ao longo dos anos. Ainda hoje, quando o vejo, continua a ter a mesma sensação, porque, para mim, é uma referência enquanto presidente e amigo. Mas sempre o tive como uma figura para a qual olhava e admirava. Ainda hoje tenho essa admiração."

O que distingue Pinto da Costa: "A capacidade de raciocínio quando ele intervém, a forma como ele está à frente outros em alguns momentos, tem uma perspicácia acima da média... Podia falar sobre isso, mas, para mim, acredito que seria impossível manter-se numa gestão de um clube tão importante como o FC Porto, com êxitos e resultados ao longo dos anos, se não houvesse um equilíbrio. Acredito que é uma pessoa muito equilibrada, tanto no momento de euforia e das vitórias, e também nos momentos mais difíceis, que acontecem. Quando se olha à volta nesses momentos, ele vai ser a pessoa mais serena."

Momento marcante: "O que mais me ficou marcado foi ficar no FC Porto. O presidente disse-me que não sairia porque íamos ganhar a Champions. Eu ri, não por não acreditar, mas porque imaginava que era muito difícil e nós tínhamos ganho a Taça UEFA com contundência. Não foi uma vitória surpreendente, porque também tínhamos ganho a equipas importantes. Mas ele falou-me como uma convicção que, confesso, na altura até duvidei um pouco. Foi um momento marcante, porque, no fim, acabou por se concretizar. Ainda por cima, deu-me a garantia que me deixaria sair para onde quisesse no futuro, independentemente da questão financeira, e foi isso que aconteceu."

A Champions: "Acho que quando vencemos a Champions, quando muita gente achava [que não aconteceria], ele foi decisivo, por não cair na tentação de vender jogadores. Eu tinha várias propostas para sair, outros também, enfim. E a convicção dele, juntamente com o [José] Mourinho e a Direção, de que poderíamos fazer algo diferente na Champions, mesmo não sendo normal, foi um momento que tem muito do poder de decisão dele. É muito difícil, num grupo com tantos títulos. Apesar de ter estado pouco tempo, o Penta também foi um momento histórico, a vitória no campeonato na Luz, a vitória na Champions, as vitórias em Yokohama... Enfim, são muitas vitórias."