Casillas fala do título de campeão: "Os meus colegas vão dizer que sou um puxa-saco"

Casillas fala do título de campeão: "Os meus colegas vão dizer que sou um puxa-saco"

Casillas é o protagonista da entrevista de segunda-feira no Porto Canal

A cláusula de continuidade: "Os meus colegas vão dizer que sou um puxa-saco, mas a verdade é que grande parte da responsabilidade pelo título é do mister. O Sérgio chegou a um balneário em que faltava experiência, ele recuperou jogadores que estavam emprestados e fizemos uma equipa. E disse-nos que íamos ganhar o campeonato. Disse logo no início, não depois da 20ª jornada. Isso fez-nos refletir. Quando começámos, em agosto, das três grandes, o FC Porto seria o terceiro em todas as apostas. Ninguém metia um euro por nós. À medida que foi avançando o campeonato, as pessoas passaram a ter respeito por nós. Recordo-me quando jogámos no Dragão com o Benfica que pensavam que a fase boa seria passageira."

A fortaleza com Nuno e o mar de Sérgio: "A época passada... Lembro-me de perder 0-5 em casa com o Liverpool, foi duro, e os adeptos, os Super Dragões, a aplaudir. Não ouve assobios, nada. Sabiam que tínhamos de lutar pelo campeonato e foi nisso que nos focamos."

Em determinada altura, suplente: "Falei com o míster, ele tinha a opinião dele. Em princípio dói, se isso não acontecer é porque já não sentes o futebol. Tive de começar a mudar o meu pensamento e voltar a conquistar com competência, trabalho e esforço. Passei a jogar as taças e tentei ajudar a equipa.

A imprensa espanhol decreta o fim de Casillas: "Por isso é melhor não ler ou ver nada, sobretudo da imprensa espanhola. Nos últimos anos no Real vivi situações que não entendia bem, e agora já não estou para brincar. Para ser o foco de todos. Se querem falar de mim, que falem. Se não gostar de alguma coisa vou ao Twitter e respondo...Estou a brincar. Quando as coisas estão bem ninguém dá opinião."

As derrotas com Paços e Belenenses: "Tenho má recordação desse jogo, que foi o mil da minha carreira e perdemos. Lembro-me dos aplausos dos adeptos a dar energia. E também de um jogo com Aves no Dragão, antes de ir à Luz. Todos apoiaram. Até hoje esse é o jogo [da Luz] que melhor recordo, mais emocionante.

Recordar o Benfica-FC Porto: "Quando ele pegou na bola, disse que golaço. Quando saímos do Dragão para Lisboa os adeptos deram-nos muita energia. Era um jogo decisivo, para o Benfica, se ganhasse, era um passo decisivo. Um empate, o calendário seria mais favorável ao FC Porto, mas ganhando ficavas dois pontos à frente. Ainda por cima, da forma que foi. Na primeira parte sofremos mais do que devíamos, talvez a segurar o resultado, e quando parecia que ia acabar 0-0, o Herrera faz aquele golaço e a Luz fica toda calada. Não quis festejar porque ainda poderiam marcar um golo, mas recordo com entusiasmo. Tenho sido feliz na Luz."

Depois as festas, primeiro hotel: "Ganhámos ao Marítimo e no regresso nunca tinha visto nada igual. Ainda faltava um ponto e foi incrível o que se respirava ali. Todos diziam que faltava apenas um ponto e que faltava o dérbi, mas mesmo assim o mister foi prudente, não podíamos festejar nada. A rotina foi a mesma, até chegar ao hotel. Pessoalmente, tinha preferido ter ganho em campo no jogo com o Feirense. Foi diferente, nunca me tinha acontecido na carreira e foi emocionante e todos merecíamos."

A chegada ao Dragão no dia seguinte: "Foi uma semana de muita festa, festejamos nós no hotel e depois com os adeptos no Dragão e após a última jornada celebramos na rua, nos Aliados, com todos. Foi fantástico"

Cibelles ou Aliados: "Difícil... Fico com o entusiasmo das pessoas. Temos a sorte de fazer felizes muitas pessoas. Seja na Cibelles, nos Aliados ou onde seja, o bom é isso. É essa a imagem que tenho dos Aliados, onde passava muitas vezes. E os meus filhos também se recordam: 'Papá, passamos aqui de autocarro'".

O significado dos recordes: "Gosto de ver que continuo a desfrutar do futebol e que estou a bom nível. Daqui a uns anos, olhando para trás, estarei mais contente com aquilo que estou a viver agora. O Real Madrid é o clube de referência e fui um privilegiado de jogar lá e conquistar tanto, tive a sorte de fazer parte da melhor seleção dos últimos 50 anos, e agora tenho a sorte de estar no FC Porto. Meu nome estará sempre ligado a estes clubes. Se, no futuro, for embaixador destes clubes ou da seleção, estarei orgulhoso. Daqui a cinco ou dez anos vir aqui ver um jogo, de preferência com o Real, ir a um restaurante e que as pessoas se lembrem não do campeonato, mas do bicampeonato e da Taça da Liga, que temos de conquistar de uma vez por todas."