Pinto da Costa sobre Nuno Espírito Santo: "Foi o célebre tempo dos padres"

Pinto da Costa com Nuno Espírito Santo

 foto Fábio Poço/Global Imagens

Pinto da Costa recordou as passagens de Julen Lopetegui, José Peseiro e Nuno Espírito Santo pelo FC Porto em mais um episódio do programa "Ironias do Destino", do Porto Canal.

A passagem de Lopetegui pelo FC Porto: "O Lopetegui ao fim de vários anos não tinha conseguido qualquer vitória, havia muita contestação e não havia uma empatia perfeita entre jogadores, treinador e público. Então, resolvemos interromper a sua permanência como treinador. Foi um período de transição e a nossa opção foi o José Peseiro, que até estava no estrangeiro, mas, infelizmente para nós e para ele, não teve sucesso, embora tenha marcado presença numa final da Taça de Portugal, que perdemos contra o Braga. Dado o insucesso que foi a sua passagem, terminámos o acordo e veio o Nuno Espírito Santo. O Nuno Espírito Santo viria a revelar-se um bom treinador, que se identificava com o clube, porque tinha sido nosso atleta, mas que infelizmente também não teve sucesso, muito fruto das arbitragens, porque foi o célebre tempo dos padres. Ficou conhecido assim pelos e-mails, porque era assim que eles os tratavam. Ele não teve sucesso e, no fim do contrato, decidiu partir para Inglaterra.

Rescisão de treinadores: "Não rescindi assim muitos. Existiram treinadores que chegaram ao fim dos contratos e não renovámos. Felizmente, também rescindi com treinadores por motivos bons, porque tanto o Artur Jorge, como o [José] Mourinho, como o [André] Villas-Boas rescindiram os contratos, porque dado o sucesso que tiveram no FC Porto, apareceram grandes clubes estrangeiros que pagaram as cláusulas de rescisão e eles partiram. O Artur Jorge para o Matra Racing e o Villas-Boas e o Mourinho para o Chelsea. Essas foram rescisões agradáveis. Por não ter havido aquele impacto positivo de relacionamento, lembro-me do [Victor] Fernandez, que não se enquadrou bem no espírito do FC Porto, apesar de ser um excelente treinador.

Sobre Victor Fernandez: "Até há um facto curioso com ele. Veio para o FC Porto, venceu a Taça Intercontinental, tem o nome gravado a letras de ouro na nossa história, está no nosso museu, e depois, por motivos disciplinares que existiram com alguns jogadores antes de um jogo com o Braga, ficou combinado entre nós que eles seriam suspensos. Para minha surpresa, na hora da convocatória para esse jogo, eles foram convocados, jogaram e perdemos o jogo. De facto, o Fernandez achou que tinha cometido um erro, colocou o lugar à disposição, aceitei e foi-se embora. Curiosamente, mantivemos uma boa relação de amizade e, quando fiz 25 anos de presidente, organizaram um jantar e uma festa e ele veio com a sua mulher de Espanha ao jantar no Palácio da Bolsa. A sua presença foi uma prova de amizade e de que o FC" Porto lhe dizia muito, porque ele está na nossa história como vencedor de uma das duas Taças Intercontinentais."

Rescisão não é rutura: "De maneira nenhuma. Ficámos amigos e foi uma prova da compreensão dele, porque a situação, de facto, tinha-se tornado insustentável pela parte dele. Mas mantivemos uma boa relação e tive o prazer, sem contar, de vê-lo a entrar pelo salão dentro com a sua mulher, porque fez questão de vir pessoalmente participar nesse jantar de confraternização."