Como Nakajima pesou na decisão do "senhor 40 milhões" do Portimonense

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Hélio Nascimento

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Koki Anzai é já uma das boas revelações do campeonato e, dando-se a conhecer, assume que os conselhos de Nakajima e de Ryuki foram determinantes para rumar a Portugal.

Koki Anzai chegou esta época ao Portimonense, vindo do Kashima Antlers, na sequência das apostas do clube algarvio no futebol japonês. O lateral-direito, num ápice, não só agarrou a titularidade como começou a dar nas vistas.

"O mais importante é o começo e eu consegui entrar bem, quer na pré-época quer, depois, no campeonato. Era isto que eu tinha no pensamento e aquilo que imaginava: começar bem a temporada", conta Anzai a O JOGO com a ajuda, preciosa, de Márcio Abematsu, o tradutor, que é filho de japoneses e nasceu no Brasil. "Sinceramente não pensava ser logo titular. Primeiro tinha de mostrar o meu estilo de jogo e corresponder ao que o míster queria, bem como evidenciar entrosamento com os companheiros. Acho que consegui demonstrar isso tudo, bem como vincar o meu estilo, numa adaptação que de facto correu muito bem."

O lateral de 24 anos, internacional pelo seu país, admite que beneficiou da ajuda do plantel para crescer: "Todas as pessoas ficaram desde cedo a conhecer os meus pontos fortes e tive a confiança dos companheiros. Depois fui ganhando cada vez mais confiança e fiz bem o meu trabalho." Sobre os tais pontos fortes, que rapidamente caíram no goto dos adeptos e dos críticos, Anzai destaca dois: "Os cruzamentos, quando desço à linha de fundo, bem como a velocidade para ultrapassar os adversários, sempre a ganhar espaço, procurando o remate ou cruzando para os colegas tentarem marcar golo."

Apesar desta boa adaptação, as diferenças entre o futebol nipónico e o português são bastantes. "No Japão, joga-se mais em bloco, de forma compacta, mas também vamos mais no um contra um. Na liga portuguesa, em termos defensivos, por exemplo, dá para crescer imenso, uma vez que a maioria das equipas atua com três avançados e a quantidade de cruzamentos é maior, obrigando a enorme concentração", reconhece Anzai. No processo defensivo, aliás, perante tamanha exigência, o jogador, que assinou até 2023 e tem um clausula de 40 milhões de euros, admite: "Estou a aprender cada vez mais e, com certeza, todos estes aspetos vão permitir que a minha evolução se faça sentir."

A propósito do contrato, Anzai garante que Shoya Nakajima, agora ao serviço do FC Porto, foi determinante na escolha. "Tinha várias propostas, mas o Shoya falou-me sempre muito bem do Portimonense. Da minha parte, queria jogar com equipas grandes, como o Benfica, o Porto e o Sporting, tentando a sorte no futebol europeu."

A vontade do lateral de experimentar a liga portuguesa ganhara também muita força quando Ryuki, um ex-jogador dos algarvios agora no papel de agente e amigo de infância, lhe lançou o desafio. "Conhecemo-nos desde criança, jogámos juntos no Japão e foi ele o responsável pela abordagem e pelos princípios do acordo. O Ryuki disse-me que jogando bem e tendo algum destaque, tinha tudo para disparar e ser cobiçado por clubes grandes", confessa o n.º 22 do onze de Folha com um sorriso capaz de iluminar o mundo, ou não estivesse ele a demonstrar qualidade suficiente para chegar aos maiores palcos.