Paços de Ferreira 2019/20: bom hábito de arriscar apresenta Filó no banco

Paços de Ferreira 2019/20: bom hábito de arriscar apresenta Filó no banco

Treinador estreante na I Liga tem muito trabalho pela frente, com a contratação de 12 reforços. Equilíbrio do plantel pode ser a chave do êxito.

De regresso ao escalão principal, depois de um mergulho na II Liga do qual emergiu como campeão, era inevitável que o Paços de Ferreira sofresse uma profunda remodelação. O clube renovou o plantel para a época 2019/20 e começou logo pelo treinador. Filó vai estrear-se na I Liga e é aposta para repetir os sucessos de Paulo Sérgio, Rui Vitória, Paulo Fonseca, entre outros que, a partir do Capital do Móvel, voaram para destinos de grande sucesso.

A chegada de jogadores a conta-gotas limita o trabalho do treinador, no que à escolha dos melhores diz respeito, no entanto, depois de oito encontros de preparação, com quatro vitórias, três empates e uma derrota, as expectativas são positivas para este arranque de temporada.

Na defesa e no meio-campo as coisas parecem resolvidas, não só em quantidade, como em qualidade e apenas no ataque têm chegado reforços mais recentemente, o que obrigará a trabalho redobrado para o rápido entrosamento necessário. A aposta na formação é também motivo de realce, com a entrada de três jovens, Zé Oliveira e Diogo Almeida (sub-19) e Matchoi (sub-17), uma das grandes apostas para este ano, tornando-se o jogador mais novo da I Liga a fazer parte de um plantel profissional.

O JÓQUER

Diaby é um médio de nacionalidade francesa que ingressou no Paços de Ferreira B em 2017/2018, oriundo do Ideal de S. Miguel, nos Açores. Deu nas vistas o suficiente para ingressar no plantel de Vítor Oliveira na época passada, onde se estreou em setembro de 2018 contra o Varzim.

O jogador cedo evidenciou as suas qualidades, baseadas num bom tempo de desarme, boa saída para o contra-ataque e bom posicionamento. Alguma agressividade excessiva e cartões amarelos levados muito cedo, retiraram-lhe da titularidade e acabou por não ser utilizado em tantos jogos como previsto.

Adivinha-se ser nesta época uma opção importante de Filó para o meio-campo defensivo e poderá ser mesmo o ano da explosão dele. O Paços de Ferreira já recebeu propostas tentadoras para a saída de Diaby, mas os responsáveis decidiram mantê-lo no plantel.

NÚMERO: 12

Até ao momento, houve uma dúzia contratações. O plantel tem 11 brasileiros, seis dos quais ingressaram nesta época no clube. Os outros foram recrutados em Portugal, embora Oleg e Dadashov sejam originários da Moldávia e da Alemanha, respetivamente.

PLANTEL

GUARDA-REDES
Ricardo Ribeiro (P. Ferreira); Simão Bertelli (Operário Ferroviário); Marco Ribeiro (P. Ferreira); José Oliveira (P. Ferreira)

DEFESAS
Bruno Santos (P. Ferreira); Jorge Silva (Leixões);Marco Baixinho (P. Ferreira); André Micael (Moreirense); Maracás (Oeste); Kevem (Mirassol); Bruno Teles(P. Ferreira); Oleg (FC Porto B)

MÉDIOS
André Leão (P. Ferreira); Diaby (P. Ferreira); Luiz Carlos (P. Ferreira); Ibrahimi (P. Ferreira); Rafael Gava (Caxias); Pedrinho (P. Ferreira); Bernardo (Benfica B)

AVANÇADOS
Yago (Atlético Paranaense); Uilton (P. Ferreira); Hélder Ferreira (V. Guimarães B); Matchoi (P. Ferreira); Douglas Tanque (P. Ferreira); Getúlio (Avaí); Renat Dadashov (Estoril)

EQUIPA TÉCNICA
Treinador: Filipe Rocha (Filó)
Treinador adjunto: Daniel Barbosa
Treinador adjunto: Pedro Monteiro
Treinador de GR: Peçanha
Videoanálise: Hugo Silva

PRÉ-TEMPORADA

TOP GOLOS
Diogo Almeida, 4
Matchoi, 2

MAIS PRESENÇAS NO ONZE TITULAR
Ricardo Ribeiro, 6
Fatais, 5

OPINIÃO, por Mónica Santos

Depois de uma despromoção impensável, na ressaca dos melhores anos da história do Paços de Ferreira, o emblema da Mata Real apressou-se a recuperar o lugar na liga principal. Começou a ganhar posição no dia em que desceu e fintou João Henriques - aquele que está a revelar-se um dos melhores treinadores do campeonato e será o primeiro a visitar a Mata Real, com o Santa Clara - para investir no regresso com o mestre das subidas, Vítor Oliveira. Um ano depois, volta com mais um título da II Liga no currículo e um projeto fiel à identidade do clube.

Tome-se como exemplo o treinador, Filó, ex-jogador da Mata Real, cujo trabalho em equipas secundárias era há muito seguido e apreciado, estreia-se na I Liga, como tantos e tão bons, antes dele; há ainda Carlos Carneiro, diretor desportivo, também ex-futebolista da casa, rosto de uma geração cujo profissionalismo tornou o futebol melhor, também nos bastidores e esteve nos anos incríveis do Paços de Ferreira. Em campo, há gente com qualidade e carácter confirmados, como o médio Luiz Carlos, e desconhecidos com tudo a ganhar. Fazer render a ambição é determinante para quem se faz ao campeonato com poucos recursos.